Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Prolixa

Lembrei, porque estou aqui no silencio dessa casa. Lembrei, porque não esqueci nunca. Lembrei já que outra atitude seria fingir. Sua risada alta, uma doçura que eu não sabia entender. Precisei te perder para entender cada oração na madrugada, cada choro em sussurro, cada gesto de abdicação. Nunca serei tão amada e esse amor inconcreto, sem regar, parece hoje só unilateral. queria praticá-lo de novo ou pela primeira vez. Precisei te perder para amar com mais força cada momento que passamos juntas. É mais um instante daquela saudade apertada, dessas que o peito congela de medo do amanhã, porque é mais um sem você. Saudades

Sampa

Cair do sonho e acordar num mundo cinza, onde tudo se complica por nada, onde as moedas sem valor de troca passam a tentar comprar o amor que não se acha. São Paulo, colore com as tintas dos grafites o coração dos teus homens mercantis.

Jogadora

Lembrei dos momentos Da mais pura Confiança. Na mais integral entrega. avassaladora exposição. A forma como dei de ombros... Nunca imaginei quão duro era para um ser humano se abrir daquele jeito. Medo, insegurança. Esqueci tudo isso, sem perceber que isso me guiava e agora dr mascara nessas feridas todas. Tornei-me insensível a algo além da jogatina. Famosa vulgarização do amor. Babaca hoje só tem um sujeito: o que vos fala. Babaca fui eu. Babaca fui eu. Eles me amaram e eu só via rostos sem mãos suadas, sem palavras medidas, sem frases pensadas. Eu vi nada porque não via amor.

Na boca alheia

Em síntese: deslocada. Habita o vizinho, o colega, a pessoa que está ao meu lado. Essa vida na boca de todos que ousam defini-la e definir-me. Nada serei do que dizem de mim? Criaram um eu paralelo e talvez mais real que eu mesma (que me desafio a desentender-me comigo frente as minha incoerências). Passo a me confundir com esse alter ego que nem sei o que de mim tem.

Desqualificando

Istas, ismos e coisa e tal. O único ismo que sigo, a única ista que sou: nunquismo e nunquista. Todo dia sou uma e toda forma de qualificar hoje me soa hipócrita, parcial, inocente ou patética.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O p do partir

Quando não houver pegadas, haverá rastros. Quando não houver falas, haverá rumores. Quando não houver cena, haverá sketchs. Quando não houver vida, haverá memórias. Ficaremos para sempre ainda que em um grau de cinza, ainda que em apenas uma lembrança breve de uma história finda.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O que será das senhas?

Números. Memórias. Palavras desconexas e amores escondidos, igualmente desconectados da realidade possível. Tudo isso será perdido. Não sobrará um detalhe dos nossos segredos escondidos por detrás de palavras e símbolos. O que será das nossas senhas quando perdermos a memória? Fecharemos parte das nossas vidas em um arquivo inacessível... Deslogados estaremos de uma parte tão banal do nosso dia a dia.