Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tristeza

Perdoem-me os felizes, mas gosto mais da tristeza. 

Desobstrui ela as mazelas da minha existência - tão presentes quanto esse sorriso, mas escondidas no fundo do dente desta boca doente que lhes acena amplificada em falsidade a aparente saúde. Nem os mais belos e brancos pianos escondem, todavia, a falta de sonoridade das suas teclas mais graves. É ainda uma boca enferma! É ainda um canto fúnebre a ecoar daquele belo órgão.

Quando bate o gosto ácido na boca ou o vento frio, que nunca veio (ou demora a vir de novo, como é meu caso), a dor é incessante. E o estranho (para os outros) é que, ao passar do tempo, uma simples brisa causa dor maior que um vendaval. O vendaval não se sente mais... Anestesia. Aí é o fim de tudo, amigo. 

É preciso crer que "a felicidade futura tem de ser maior que a passada..."  É o que se diz por aí, a despeito desses dizeres se despregarem como palavras soltas, sem sinergia de grupo. Eu, conjugadamente, acho desesperado e patético, mas tenho respeito. Só porque não discordo que não acreditar nisso é a tristeza que não faz bem, porque não permite crescer, não permite viver. Para se conhecer a dor, tem de se conhecer a sanidade. Por isso, para esses que nada têm de esperança, envio uma pena, um papel de carta, um uísque e um revólver municiado. Nessa ordem.

Mas para que viver então? Pára de doer? Não sei, a minha dói, todos os dias quando acordo, quando como, vou ao banheiro e durmo. Se se entende, ou se constata, que uma dada situação irretomável é o auge da felicidade, tudo será tristeza então. Toda "felicidade" será pouca se o parâmetro inicial já é inatingível, por uma impossibilidade fática. Não me venha com afirmações de quem fica sentado na poltrona achando sua vida infeliz. Levante a bunda e vá ser infeliz. De todo modo, a dor saudável é aquela de quem quer que se finde. É a mola da vida. É a razão que vos escrevo...

Vivamos na hipocrisia, para que não cometamos suicídio, ao selar o prometido embrulho.

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