Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O que será das senhas?

Números. Memórias. Palavras desconexas e amores escondidos, igualmente desconectados da realidade possível. Tudo isso será perdido. Não sobrará um detalhe dos nossos segredos escondidos por detrás de palavras e símbolos. O que será das nossas senhas quando perdermos a memória? Fecharemos parte das nossas vidas em um arquivo inacessível... Deslogados estaremos de uma parte tão banal do nosso dia a dia. 

domingo, 22 de setembro de 2013

Sede de mim ou Fome de nós?

Às vezes me pergunto se não passa de falta de fé. Outras, se é o psíquico em autopreservação. Afinal, ver diante de você algo diverso, a questionar, a combater, a apontar e a errar é mais que um exercício de paciência: é revolução. É um cutucar a ferida que pode não mais sangrar com um curativo, que, todavia, mascara, que deixa passar o auge da dor. O flagelo da estabilidade é, enfim, o "não estar só". Medo, Puro medo?

Outras tantas vezes, apenas reafirmo minhas concepções: o tempo passa e acho que não nascemos para nos eternizar em nada. Instituições ou convenções. Casamento, que é as duas juntas, menos ainda. Focault estava certo quando falou do cemitério de verdades. Enterro uma a uma. Dia a dia. Entalhar-se em uma forma, que amanhã pode não fazer mais sentido é uma incoerência ao modo de vida vigente dessa geração que quer hoje e agora. Se é certo ou errado ser assim, não sei, fato é que se é assim e precisamos lidar com esse novo status quo com realidade, sem, contudo, colocar nele alguma qualidade cármica que nos impede de ir além.

Não se pode negar que estar com alguém é um espelho que se olha com profundidade. Não é um de elevador, que você passa, enxergar-se brevemente, para confirmar o que se sabe, em ode à vaidade. É o espelho do começar o dia e do findar a noite, esgotado ou decomposto pela matéria de todos nós.

Desmascaramos o amor na submissão das mulheres de outrora, nas vaidades de homens que precisavam cuidados em sua vida doméstica. Eles, todavia, inegavelmente carregavam em suas hipocrisias ou necessidades dirigentes uma felicidade diferente. E buscamos. E buscamos. Corremos o mundo, conhecemos gente, ganhamos mais dinheiro, compramos casas, barcos, conquistamos amigos, saciamo-nos em corpos frescos, mas nos sentimos só, às noites, antes de dormir. Isso, nenhum solteiro nega.

Aí me questiono o que mais vale? Porque quando me entrego a uma relação, não raro sinto sede de mim. E quando saio dela, sinto fome de nós. O que vale mais? Por Deus, o que vale mais? Critérios objetivos. Não me venham com falácias auto convencitivas, justificatórias. Não me interessam.

Fato é que o mundo é outro, há coisas tantas para se viver, pode-se ir ali e aqui. Amar ali e aqui. Sentir ali e aqui. Viver de tudo em qualquer lugar. Novamente tudo depõe contra essa união que, todavia, insistentemente resiste, não sem hipocrisia, por muitas vezes, e vontade de fuga em outras tantas. Incapacidade de lidar com o esfacelamento de algo que não mais se adapta ao hoje ou verdadeira substância atemporal? Desespero frente a solidão ou maturidade evolutiva? Muros concretados em cima de areia caem a toda hora e ainda assim, constroem-se novos muros em solos desconhecidos. Eu não sei.

Creio no amor. Acho o amor mágico, mas o casamento, parece-me apenas a cartola em que se esconde tudo que se quer que um dia reapareça. Contudo, não ouso discordar que essa cartola traz uma magia incrível para a vida.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

(Des)encontro

Armário abaixo. Uma roupa que não a vestia como a mulher que era. A desafinação do encontro. Aquela conversa meio desconectada. Timidez. Tentativas desesperadas de mostrar qualquer coisa que os fizesse estar ali. Bebidas e entraves diluídos. Sessões de terapia freudiana. Ele pensando no pós encontro. Já olhava os seios cheios naquela blusa que não fazia sentido. Ela, esperando rir como outrora, enquanto o papo beirava a seriedade que ela abominava. Todo aquele contexto apertou mais os seus seios contra o vestido. Nada fluiu. As máscaras se colocam e eles jogam o jogo dos personagens criados. O beijo sabido. As palavras já tantas vezes ditas. E aquela vontade de ir pra casa ver um filme.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Fim do mundo

Algo que me parecia manchete para vender, ameaça aos cristãos ou apenas polemização barata se torna palpável. Ninguém mais lê, ninguém mais tem tempo de ouvir os outros, tudo parece balela. E agrava isso o fato de estarmos presos a maquinas de uma forma dependente. O que era mero auxilio às relações pessoais as massacra. Não nos abraçamos, curtimos. Não beijamos, mandamos bocas virtuais. Nossas brigas passam em boa parte a serem escritas (isso quando não surgem da interpretação sugestiva dessa própria escrita de palavras secas). O amor se vai. As tradições se vão. Ninguém aprecia mais nada que não é rápido ou imediato. Desde sexo a ensinamentos tudo deve ter o tempo do hoje, sem prolongamentos. Os sensíveis viraram babacas ou ao, ao menos, parte de um passado remoto, que não se tem tempo para conhecer. Poesias passam a ficar ultrapassadas para uma geração que progressivamente perde a capacidade de conhecer os sentimentos expostos ali. Vejo não longe o dia em que o homem se torna uma nova espécie. Robotizada não só no físico, mas em sua psique. E o mundo será deixado para lá, porque é pouco para eles, porque é muito para eles.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

27.1.2013

De repente. Precisamente, 27.1.2013: tomei uma decisão. 
Não sei se estou certa, mas agora é o que me parece. 
Também não posso dizer se será para sempre, porque junto com o "nunca", essas palavras ganharam, ao longo do tempo, os exatos contornos que nos escapam, aos vinte e poucos. 
Fato é que hoje retomo em mim uma parte que morre. Morria. Preciso aprender a conviver novamente com sua presença ou a franquear com mais vitalidade essa tentativa de resgatá-la.
Essa metade doce, infantil, covarde, que trazia a mim o brilho natural dos olhos. Exatamente esse excerto ignorante que me permitia adentrar em águas perigosas, barrentas, límpidas, enfim nas águas que eu quisesse adentrar, sem ponderar se havia perigo, barro, peixes, ou qualquer outra variante. Mera vontade, simplesmente  sem carecer da metáfora de limpeza.
Talvez seja apenas uma simbologia. 
Evidentemente, estou confusa.
Para mim, apenas fez-se cabível como o triângulo vermelho na casinha com recortes de várias formas. Pareceu assim óbvio que ali era o espaço dessa figura e não de outra. 
Mas agora a única certeza que tenho é que o mundo me resignou, seguindo essa metáfora das águas. Não amo mais e preciso fazer alguma coisa por isso. E o meu desisso, antiisso, anisso é o egoísmo, que, hoje, toma forma concreta, em mim - e em uma série de cobaias observadas criteriosamente - por meio dessa instigante mundana, de gozo pessoal, de irresponsabilidades mil perante meu corpo, perante a minha alma.
Passei a não ter o natural colorido nos olhos e busquei-os monocromaticamente, em método destrutivo, mas construtivo ou construtivo, mas destrutivo. Ainda, como se vê, pairam dúvidas. E incertezas porque há uma grande possibilidade de ter matado em mim um fragmento que não sei se era meu ou de outrem, se era fruto de determinismo social, necessidade de individualização, desespero mesmo, ou se veio comigo latente, formando-me tal qual a outra metade, traduzindo-me um ser meu que precisava gritar.
Um fragmento, contudo, inegavelmente, divertido... Mas que, ao cabo do riso, desfeita a multiplicidade de seres, tornava-se, de certa forma, contraditoriamente, obsessivo.
É como se em busca do mais, você pudesse ter o menos e hoje essa troca não me parecesse justa.  Mais do que isso: parece-me que ela abre uma caixa de possibilidades e riscos que não estou, ao menos na atual conjuntura, pronta para enfrentar.
Sangue suga. Sangue suga.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Vocês, que são eu

Eternizei esse amor na minha sobrevida. Calei em mim os mais dolorosos gemidos para que não sofressem com o uivo do meu lamento. Refleti na cara manchada pelo tempo desfeito um sorriso pálido de saudade, igualmente parecido com um ar curioso, para fazer-lhes crer ser ânsia de dias vindouros. Travesti minhas lágrimas em emoção da lembrança, para que não percebessem que era tristeza mesmo. Chorei escondida no meu universo um pranto interior. Falei para mim que resistiria por vocês, mas está difícil, cada dia mais difícil. Resta-me orar, para que eu consiga abstrair da concretude o desespero abstrato, mas real, que se me faz morrer todo dia, não gostaria que os fizesse. Pois se velo o meu corpo, mato para sempre a única fidedigna expressão de vocês aqui.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Vilã

Quanto tempo sem sentir esse submundo de nós mesmos. Dias e dias vividos sem conhecimento dessa possibilidade. Lembrança talvez melhor se ajustasse. Distante do vasculhar do âmago, não percebemos os vícios criados, os erros passados, os traumas. Desenvolvemos paradigmas absolutos e não nos colocamos mais diante de algumas situações em que ousávamos mergulhar. E a justificativa para isso é nada além de medo. Nada. Nem sinal de novos tempos. Cada novidade mal vista em nossos módulos sociais é meticulosamente afastada. Mas deixei a paixão tirar a razão e chorei. Chorei muito só que sem alarde. Fingi para mim estar no auge do meu conformismo, quando lá dentro a mistura de tudo me afligia com tal intensidade que eu tinha medo de continuar. Queria ele, mas temia aquilo. Fui covarde. Estou sendo agora, porque não tenho forças para viver isso. Despeço-me com a mesma coincidência do encontro no desencontro. Amar é preciso, mas sofrer não.