Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Seja bem vindo

Não sou famosa. Não tive a idéia do século. Não sou rica ou ascendente nem uma dessas belezas raras. Por que ler esse texto? Não sei. Talvez porque eu seja igual a você. Sinto as minhas idéias e percepções escorregarem na mesma vala em que escorreram as divagações dos idiotas. Na mesma sarjeta onde se debatem os éticos, artistas e ébrios - que, no fundo, são faces dessa mesma face estapeada - socorro meu ego para que ele não sucumba. Estou quase sem forças para salvaguarda desse suicida inveterado. Depois de alguns anos de estudo (pobres dos gênios e ilustrados) e vivência vivenciada (sem pleonasmo e com o rigor do particípio), tudo que eu mais gostaria é ser completamente ignorante de alma. Talvez eu me fizesse entender. Fato é que não me emendo e continuo me metendo onde não devo. Agora pergunto: será que é de todo injusta a eutanásia desse corpo ligado à vida pelo idealismo? Sempre acreditei que a firmeza de caráter me garantiria a afirmação de todas as frases desse introito. Cá com elas começo na negativa não é por acaso. Nada é pensado com o fim de mostrar a você que a moral da história é o correto. O mundo lá fora não é o mesmo desse aí de sua casa, onde o desculpar-se conserta os erros. Aqui, cada um deles é meticulosamente jogado na sua cara e o saldo final é seu rosto de Adeus. As feições caídas e estripadas emolduram-se em Picasso, diante do sopetão da descoberta. A cena faz jus à imbecilidade de sua criação mentirosa. Essa sim imoral. Junto com aqueles pensamentos tão nobres, que hoje descem pelo ralo abaixo na mesma descarga da merda, você passa a não mais reagir. Deixa-los ir. Você passa a saber que esse mundo lá fora apenas acontece, com suas regras soltas. E nas probabilidades imoralmente exatas, em que coroa pode dar cem vezes sem nenhuma cara, de nada adianta se sua moeda não é viciada. Não importam as leis que cominam a ilegalidade do homicídio nem quantas vezes você já foi assaltado. Haverá degolas, latrocínios e outras barbáries das quais o mocinho poderá ver-se vítima, sem chance de novo take.  O mundo é injusto e cruel. Real, contudo. Não lhe parece melhor? Então viverá a mentira da correspondência inatingível, mijando nas calças toda vez que pisa pra fora de casa? A verdade nem sempre é digesta, mas hoje prefiro engolir o meu catarro a comer o escargot de banquete do Mágico de Oz. Seja bem vindo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário