Há dias que não são para ser. Mantenha-se em casa. Programe seu filme e viva você. Eu desrespeitei essa regra máxima. Tudo aconteceu em contramão do branco, do dia, da tranquilidade. Foi-se garoa, chuva e enfim a tempestade. O trem das onze passou às 11:05. Só nesse dia. Perdi a estrada e um pouco do bom de mim, naqueles blasfemares e insultos ao nada. Irretratável perda. És outra em cada minuto que avança e trouxe à nova um apanhado de carcaça suja. Me deparei comigo e fugia do ter de encarar-me. Sozinha, deixaria a cabeça vaga para pensar em coisas a serem sanadas. Era preciso tomar decisões difíceis. Não seria o momento, contudo. Estava contaminada desse ar fúnebre da morte alheia que desejava. Insisti na saída que era um aborto provocado. Ter com elas parecia bom. Algo não deixava. Decidi esquecer o mundo lá fora, porque ele não me queria hoje, sendo parte sociável dele. O mundo era meu. Ocupei minha cabeça com o nascer da vida. Gramíneas esfumaçantes. E isso me fez mais. Eu ali. Desprotegida em frente de mim. Olá. Como está? Abatida. Com olheiras. Todos esses seus devaneios aparecem na sua cara esbranquiçada. É o seu desprezar de vida boa, de vida certa. Você não dorme, você não come, você divaga em seu ser vazio. Não é contraditório? No que tanto pensa? Pensa nesse real aqui dentro, se acha aqui no meio disso tudo, por favor... Da janela para fora, onde não mora o real de você, já tem gente demais para pensar.
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