Da minha parte, voltei a escrever porque preciso. E preciso porque deixei de ser seca nas entranhas. Fora a água jorra, mas quanto mais inunda menos há dentro a secar. Quanto mais o corpo molha sem proceder-se pelo duro bater do peito, menos há lá dentro preenchido. A água que não roda moinhos. Passado, estou em outros tempos, ainda que nem acredite que isso de fato tenha acontecido nessa altura de quase inanição. Agora, é oração para dois, plural de pratos na mesa, o medo e uma vontade quieta de te pedir para ficar. A mesma que sei estar aí igualmente calada. Se nada mais houvesse, entregar-te-ia. Eu te entendo que assim seja; mas, confesso, acho covarde. O mundo que se exploda para que os destroços do insucesso de suas falácias alimentem meus sonhos - sonhos esses ditos ilusões porque nesse mundo poucos foram fortes o bastante para crer no que não se vê.
Desembaraço
Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Regresso
Ele ainda não pode dizer. Sequer sabe. É muito fundo, é muita coisa, é muito humano. Eu não posso dar vazão. São as regras do mundo. Nele, simplesmente não se pode permitir "crendices". Nesse mundo, o amor não é bem vindo. Não sem rodeios, firulas, sem traumas retroalimentado por um dever de evitar a dor, a qual, segundo se propala, certamente virá. Eu não estou certa de que essa retroalimentação não é em si um autoflagelo. Enfim, nesse mundo, o amor é um intruso, um forasteiro, que a gente não recebe de noite em casa com receio de levar-nos o que temos de melhor. Pudera. Quantos há a questionar as verdades intocáveis da alma pelo medo implacável e bem mais concreto da rejeição. A carapuça que serve antes da frase ser dita porque esperar ouvir dói mais e também mais fundo. Pudera. Porque se admitir frágil nesse mundo de vaidades é uma batalha para a qual poucos se alistam. Pudera. Autoconfiança, humildade e maturidade são fluidos que não se misturam no copo sem uma enorme colher de terapia mexendo sem descanso. Sobram então nesse mundo podre os sórdidos para os quais a solidão certamente não "acontece".
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