Desembaraço
Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...
terça-feira, 22 de março de 2011
Amadurecer
Há momentos em que o que mais almejo é que o soco venha logo. Não se pode adiar a dor. Por outro lado o refletir abre portas e nos faz tomar decisões mais sensatas, esquivando-se do calor do momento. No auge da agonia é que se fazem as besteiras. Decisões sem pé nem cabeça, no momento do desepero, são corpos esbeltos. A dor não se pode adiar nunca, de fato. Mas o melhor é transfigurar o lamento em troféu de consolação, em conformação, em mera ferida que agora pode cicatrizar. O soco demorado é golpe de ensaio, leve e instantâneo. Coisa que não se vê, na hora da tormenta. Parece câncer, mas é só uma dor de dente, se for pensar bem. Amanhã, o que faz chorar é outra coisa, muito pior do que a que um dia preocupou. Amadurecer é chorar menos por mais. (escrito no dia da postagem)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Assalto
Mãos para o alto, isto é um assalto, seu playboy. O seu troco da vez é o meu mercado do mês, ô seu playboy. Já disseram que a grana do teu fim de semana banca a minha Inês...? Banca ainda mais três... Três filhos sem futuro, três tiros no escuro, é assim que tu quê, não é? Vê se olha pra frente, não ignora a gente, seu playboy. A tua farinha tu quis, agora abaixa o nariz, ô seu playboy. Eu que sei que com tua droga, ce mata, ce roba, mas não suja as mãos, mas isso não te faz menos ladrão...
Mãos para o alto, isso é um assalto, seu playboy. Com sua balada do mês o meu salário se fez, seu playboy. Já disseram que a grana do teu fim de semana banca agora só três, porque já é morta Inês. Com um tiro no escuro, fez-se o fim do seu futuro, é assim que tu quis, me diz! Vê se liga sua mente, eu não sou seu parente, seu playboy. Se sua farinha pegou, agora não faz de ator, ô seu playboy. Quando a patrulha chegou, você logo vazou no seu carro bacana. E eu é que sou levado em cana...
Imutável
Me droguei de sonhos
E retornei à realidade lógica e...
Temerária
De fato não há que se falar em sonhos
Quando a aritmética irritantemente exata da vida
resulta na inevitabilidade dos fatos
Entretanto, por que haveria de ser essa realidade tão oscilante se há uma sinergia convergente à repetição dos ciclos?
A realidade pulsa na cadência do imutável, mas oscila em consonância com as emoções claramente mutáveis
Há então frações fungíveis da vida...
Enquanto outras (boa parte delas) são tão somente impassíveis de mudança
(nesse momento a angustiante passividade da constatação avulta)
A ressaca da minha escolha lúdica se acaba
E constato, depois de uma sacudida brusca de Orpheu, que vivo em vários momentos um determinismo aniquilador
Sobejaz a vontade singular
E o consensualismo se mostra como um mero disfarce dos fracos
Incapazes de encarar
que não há livre-arbítrio em todas as práticas
Irredutíveis no seu egocentrismo inflexível a aceitar que algo escapa de suas mãos que seguram o mundo
Não, não é só na inevitabilidade da morte
A vida é que aponta mais evidências
"Eterno Retorno do Mesmo" dizem, todavia, os sábios
Divagante círculo real...
Findo o êxtase da epifania
Só me resta sonhar novamente
Para acordar com as mesmas constatações frustrantes
É o que chamam "a arte da vida"
Agora diria eu o "determinismo aniquilador"
Na dialética da metamorfose e do insuscetível de alteração vivo
E confio a Deus a direção
Alguém há de saber para que rumo segue o intransponível.
E retornei à realidade lógica e...
Temerária
De fato não há que se falar em sonhos
Quando a aritmética irritantemente exata da vida
resulta na inevitabilidade dos fatos
Entretanto, por que haveria de ser essa realidade tão oscilante se há uma sinergia convergente à repetição dos ciclos?
A realidade pulsa na cadência do imutável, mas oscila em consonância com as emoções claramente mutáveis
Há então frações fungíveis da vida...
Enquanto outras (boa parte delas) são tão somente impassíveis de mudança
(nesse momento a angustiante passividade da constatação avulta)
A ressaca da minha escolha lúdica se acaba
E constato, depois de uma sacudida brusca de Orpheu, que vivo em vários momentos um determinismo aniquilador
Sobejaz a vontade singular
E o consensualismo se mostra como um mero disfarce dos fracos
Incapazes de encarar
que não há livre-arbítrio em todas as práticas
Irredutíveis no seu egocentrismo inflexível a aceitar que algo escapa de suas mãos que seguram o mundo
Não, não é só na inevitabilidade da morte
A vida é que aponta mais evidências
"Eterno Retorno do Mesmo" dizem, todavia, os sábios
Divagante círculo real...
Findo o êxtase da epifania
Só me resta sonhar novamente
Para acordar com as mesmas constatações frustrantes
É o que chamam "a arte da vida"
Agora diria eu o "determinismo aniquilador"
Na dialética da metamorfose e do insuscetível de alteração vivo
E confio a Deus a direção
Alguém há de saber para que rumo segue o intransponível.
Intolerância
O termo é intolerante.
Cada dia que passa me torno mais desse bicho
Não tenho paciência para as falhas dos outros
Como se eu não errasse
Mas parece que meus erros tem um tranto de acerto
Não por arrogância, mas porque não viso à incorreção
E vejo as pessoas almejando as falhas
Ou, ao menos, aprendendo a conviver pacificamente com elas
Em um determinismo passivo
Como um carma kardecista
Eu não suporto os meus deslizes
E se não convivo em harmonia com meus filhos torpes
Como hei de tolerar os monstros alheios?
Eu quero consertar minha prole torta
O que apontam negligente me angustia
Não hei de suportar o fraco com sutileza
Covarde o que não admite
Preguiçoso o que deixa passar
Há compaixão de um maníaco por limpeza em um muquifo?
Surto de Faxina.
Muitos tapam os meus olhos ao filho drogado
O que se há de fazer? Muito, imbecil!
Leve à reabilitação
É o que é possível
Para desculpar-me do mundo
Pedir-lhe perdão por não ter acertado, por ter me omitido, por ter permitido
Talvez continue viciado no erro
Mas é a parte admissível da apatia, posto que ativa
Não se cala a Ânsia no amém
Talvez seja velhice
É... deve ser
O tempo é intolerante
Ora o outra ele cobra
Cada dia que passa me torno mais desse bicho
Não tenho paciência para as falhas dos outros
Como se eu não errasse
Mas parece que meus erros tem um tranto de acerto
Não por arrogância, mas porque não viso à incorreção
E vejo as pessoas almejando as falhas
Ou, ao menos, aprendendo a conviver pacificamente com elas
Em um determinismo passivo
Como um carma kardecista
Eu não suporto os meus deslizes
E se não convivo em harmonia com meus filhos torpes
Como hei de tolerar os monstros alheios?
Eu quero consertar minha prole torta
O que apontam negligente me angustia
Não hei de suportar o fraco com sutileza
Covarde o que não admite
Preguiçoso o que deixa passar
Há compaixão de um maníaco por limpeza em um muquifo?
Surto de Faxina.
Muitos tapam os meus olhos ao filho drogado
O que se há de fazer? Muito, imbecil!
Leve à reabilitação
É o que é possível
Para desculpar-me do mundo
Pedir-lhe perdão por não ter acertado, por ter me omitido, por ter permitido
Talvez continue viciado no erro
Mas é a parte admissível da apatia, posto que ativa
Não se cala a Ânsia no amém
Talvez seja velhice
É... deve ser
O tempo é intolerante
Ora o outra ele cobra
Burguesia
Cada nova história é a mesma história. Tenho tédio do mundo. Tenho preguiça de tudo. Saltita de mim a alergia de homens de suspensórios e mentes sociais. Vistam suas bermudas e abram seus pensamentos solitários e alheios ao clichê. Acredite: nem todos querem ser você, o mundo sequer o vê, só lamenta pela sua ignorância escondida em livros carimbados, em sonhos frustrados, em verdades do avesso. Feche-se dentro de casa, enquanto eu me enlouqueço na arte do meu proceder, pelas ruas do ensinar. É lá que a vida é sincera...
Mulher do Mundo
Me ache. Se encaixe no meu ser, nesse dia de chuva. Como tatuagem para vestir, quando o dia está sem graça. E quando a novidade aparecer, dispo-me de você, pois é hora de sair pra rua, é hora de sair da tua.
Pensamento Cotidiano
Meu cérebro anda fritando pensamentos, triturando sonhos, mastigando idéias. Pulso de stress entre sinapses ilógicas de neurônicos frouxos. É a lógica da Modernidade, que de eficiência tem o consumo do verbo ser humano. Inteligência Emocional fica para uma geração futura... Ou se expurga no arquivo físico morto.
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