Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Imutável

Me droguei de sonhos
E retornei à realidade lógica e...
Temerária

De fato não há que se falar em sonhos
Quando a aritmética irritantemente exata da vida
resulta na inevitabilidade dos fatos

Entretanto, por que haveria de ser essa realidade tão oscilante se há uma sinergia convergente à repetição dos ciclos?

A realidade pulsa na cadência do imutável, mas oscila em consonância com as emoções claramente mutáveis 

Há então frações fungíveis da vida...
Enquanto outras (boa parte delas) são tão somente impassíveis de mudança 
(nesse momento a angustiante passividade da constatação avulta)

A ressaca da minha escolha lúdica se acaba
E constato, depois de uma sacudida brusca de Orpheu, que vivo em vários momentos um determinismo aniquilador

Sobejaz a vontade singular
E o consensualismo se mostra como um mero disfarce dos fracos 

Incapazes de encarar 
que não há livre-arbítrio em todas as práticas 
Irredutíveis no seu egocentrismo inflexível a aceitar que algo escapa de suas mãos que seguram o mundo

Não, não é só na inevitabilidade da morte
A vida é que aponta mais evidências


"Eterno Retorno do Mesmo" dizem, todavia, os sábios
Divagante círculo real...

Findo o êxtase da epifania
Só me resta sonhar novamente
Para acordar com as mesmas constatações frustrantes

É o que chamam "a arte da vida"
Agora diria eu o "determinismo aniquilador"

Na dialética da metamorfose e do insuscetível de alteração vivo

E confio a Deus a direção
Alguém há de saber para que rumo segue o intransponível.

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