Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Palhaço

Se o palhaço pudesse dizer o que sente, não calaria a calúnia, não alimentaria a alienação, não ensejaria a insanidade. Vã alma desgraçada a respirar apatia para
rir e fazer rir. Mas queres palhaço abrir a tua boca para discutires a aritmética exata das integrais ou a coerência de textos shakespearianos? Fazes gargalhar os desiludidos que buscam a cegueira e a loucura como remédios da alma incurável. Fazes refletir os melancólicos sobre a solidão de dar o riso sem senti-lo. É o teu papel. Fazê-los tolos...

O que é o excesso de riso senão dor contida?
O que é uma exacerbação do sentimento senão uma carência escondida?

Qual é a graça da tristeza se não refletir sobre a alegria ilusória?
Qual é a graça da dúvida se a certeza, ainda que falsa, é tão mais satisfatória?

Os desiludidos cansam de proclamar propriedades em ouvidos surdos à complexidade. Enquanto os melancólicos procuram impropriedades e deslizes na simplória alegria alheia. E nessa concorrente oscilante, reinas palhaço. Transmites a apatia enquanto sofres a melancolia. A dualidade inerente a tua veia dramático-satírica faz do riso teu quadro e tua máscara.

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