Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Pai

Bateu a porta. Saiu de casa e não voltou. Deixou a cena, e eu pequena sem entender. Sentado ali ao berros secos ele se fez. Era tanta luta e aquela puta a desistir. Mas era homem e, como tal, não tinha lágrimas. O choro mudo era o escudo da sua dor. Do seu lamento fez um remendo e trouxe forças.  Chamou de canto, em meio ao breve pranto, e me fez adulta. Sem qualquer tato fez do recado o meu crescer. Sua mãe morreu. Ela escolheu não nos querer. A minha infância na nua ignorância encontrou seu fim. Naquela idade a minha verdade era a sua mentira. Acabou com a vida e a sua saída foi a entrada dele. Talvez aquele caminho fosse das opções a mais valente; ele se sentiu corajoso, ao afogar-se em aguardente. Cada um enxerga a vida como lhe convém... Só entendi depois. 

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