Nada me fascina mais do que um uísque com gelo
Nem um olhar de paixão me parece mais do que desespero
Não creio nessa demagogia que erige a bondade do ser humano
Para mim, todo discurso deslumbrado certo dia se dilui em engano
Em um copo de epifania vendida no balcão de um bar
Descobri que os engajados são idiotas, hipócritas ou idealistas
E hoje prefiro dois ébrios realistas
A um intelectual e suas utopias mortas
Dos bêbados e suas elucubrações tortas
há mais possibilidade de acerto
De fato, estive refletindo... A embriagues nada tem de torpeza
Irrompe-se da mais palpável sensatez, afasta a impossibilidade, dá azo à dúvida e, por fim, traz certeza
De que a vida é o mais patético teatro
Tragicômico como um colorido e reluzente retrato
Que se destina a presentiar um cego
E só se vive porque no fim da trilha escura há o emplasto que se almeja
Visa-se à luz que guia, mas nunca flameja
Anestesiados pela sofreguidão da apatia
Prosseguem vocês no fluxo de imutável sinergia
Barata aos dominadores e cara aos andarilhos do escuro
Em encontro às demais almas benevolentes
Vão os tolos descrentes
De que algum dia o mal os alcançará
Sem questionamento e sem razão
Sob impulso a um ente de nome Deus e alcunha submissão
Entregam seus bens e seu destino
Como pôde ver não há mais em mim esse ultraje romântico
Hoje, me lisonjeiam o ritmado e afinado cântico
Que insurge dos asilos, cárceres, ou manicômios
Percebi que neles certamente habitam menos demônios
Do que, em toda a sua podre individualidade
Suas palavras são seqüências de letras, sentença vazia
Dispense as frases feitas que denotam sua azia...
De pensar as paráfrases poéticas que ecoa ao vento
Sem sequer entender a verdade e o lamento
Do poeta que amou
Suas palavras são seqüências de letras, sentença vazia
Dispense as frases feitas que denotam sua azia de pensar
As paráfrases poéticas não escondem sua pobreza intelectual.
Portanto não me venha com esse discurso enjoado
Tente talvez algo um pouco menos elaborado.
Certamente é mais você.
Não se logre no espelho afastando da mentira a sentinela
O fim de história pode dizer-lhe pobre, mas fugirá de ilusória novela
Que você planejou nessa sua arte de inventar mentiras
E para findar com algo que faz o seu jazer mais jocoso
Em nome desse ente mítico a quem se agradece algo esplendoroso
(só porque crê-se oriundo dessa surreal divindade)
Agradeço a benção de pôr fim a essa inverdade
Com a qual você se tolheu ao chamar de Amor?
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