Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

O poeta

Um soneto melódico para as tardes febris
Um boleto metódico de saldos sutis
O céu fecha em cinza, preto, cor de xadrez
Nenhum poema nesse mundo sobrevive as contas do mês

O poeta é pobre
O poeta é pobre

Pensei em empréstimo, cheque voador e penhora
Do fugir, do morrer jaz demora
Mas suicídio custa caro
Posso predatar o inventário?
Posso testamentar o crediário?

O poeta é pouco
O poeta é pouco

Posso sentir a moeda bater na pança
Que insensatez é essa que chamam de esperança?
Eu sinto fome. Isso eu conheço.
Eu sinto frio. Com suas palavras não me aqueço.

O poeta é potro
O poeta é potro

Podem falar que os versos são encantadores
De nada adianta seus falsos amores
São jóias que fazem delas mulheres mais belas
E se não tem essa panca pra bancar as donzelas
Contete-se com as moribundas
Elas fazem um caldo de galinha no frio

O poeta é podre
O poeta é podre

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