Um soneto melódico para as tardes febris
Um boleto metódico de saldos sutis
O céu fecha em cinza, preto, cor de xadrez
Nenhum poema nesse mundo sobrevive as contas do mês
O poeta é pobre
O poeta é pobre
Pensei em empréstimo, cheque voador e penhora
Do fugir, do morrer jaz demora
Mas suicídio custa caro
Posso predatar o inventário?
Posso testamentar o crediário?
O poeta é pouco
O poeta é pouco
Posso sentir a moeda bater na pança
Que insensatez é essa que chamam de esperança?
Eu sinto fome. Isso eu conheço.
Eu sinto frio. Com suas palavras não me aqueço.
O poeta é potro
O poeta é potro
Podem falar que os versos são encantadores
De nada adianta seus falsos amores
São jóias que fazem delas mulheres mais belas
E se não tem essa panca pra bancar as donzelas
Contete-se com as moribundas
Elas fazem um caldo de galinha no frio
O poeta é podre
O poeta é podre
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