Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Ode à Insonia

Chega ela em vagar na noite, quando a lua alumia a crua verdade: não há metade que complete o teu jeito torpe. "Estás só" e não tem ela dó de fazer-te atinar. Deixa-te durante o dia e no meio da madrugada fria mostra-te como prêmio o cansaço. Não há espaço na cama que consigas ocupar. No escurecer de verão, maneja com a solidão quem daquela vez vai se dar ao luxo de ganhar. Nas noites gélidas, em que há certo estímulo ao aconchego altruísta, faz-se talentosa artista a chamar tua atenção. Faz peça no branco da parede e tu espectador tem sede de que chegue a trama ao seu final. Desvia-te daquele corpo escultural que se coloca diante de ti recostado em sono. Lembra-te ela que o abandono é verdade vindoura. "Depois de alguns instantes, não haverá na tua cama mais amantes; só eu tripudiarei diante de teu posposto sono". Não consegues ser dono sequer da tua alma. Ela domina-te no bater da hora, que não demora a passar. Fará ela vezes de mulher esquecida e, por vingança, decapitará a sua sortida frente de tentativas de repousar. "Não conseguirás dormir". E quando ela partir estará o sol lá fora a te lembrar: "Já é hora de trabalhar". E tu nem pregaste o olho...

Nenhum comentário:

Postar um comentário