Eu criei ilusões
Cortei a carne da razão
Idealizei um ser num dever ser
E quando vi não tinha nada
Só areia que escorria na ampulheta
O tempo passava e nada senão areia corrente
E eu criei algo sem concretude
Sou ferida de mim mesmo
Hoje a beira da morte
O que me resta senão alguns segundos
De exaltação pessoal
Por ter te feito tão bela alma
Pelos atributos imaginários que preguei
Com pregos apertados num fantoche de medo
Hoje a beira da morte
O que me resta senão algumas lembranças
De uma hipocrisia dolorida
Por ter te feito tão bela alma
Pelos atributos imaginários que preguei
Com pregos apertados do fantoche do medo
Um boneco de gaveta que não vive
Só existe, numa completa existência vã.
Sem poder de mandar, decidir, expressar-se.
Um boneco de gaveta esparso em idealizações morais!
Não há vida nessa falsidade.
Abrem-se na mente portas da revolta
E meu grito de desespero ecoa internamente como suspiro final
Milésimos de hora contados pelos olhares atentos
De quem quer vê-los extinguir-se em pó de cadáver
Mas como extinguir algo sem honorários de existência?
Não saí ao menos com perdas ou ganhos
A nulidade,o mais ou menos, o talvez é a pior das respostas frente a morte.
Enquanto o câncer dilacera vísceras cansadas de existir, sem saber viver
Eu penso que nem se lembrarão de alguém que nasce abortado de querer
Não há retratos guardados
Não se pode figurativizar o ser inanimado,
Um ser surrealmente imposto.
O que sobra quando não conseguimos encarar a vida?
O que resta quando a vida passa e não nos permitimos?
Lucros ou prejuízos! Quem dera...
Não sobra nada quando se é ferida de si mesmo.
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