Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Novo Amor

Não culpe os desiludidos do amor
Talvez sejam eles reincidentes na dor de desiludir
Um dia caíram no seu próprio enredo
E ao revelarem-lhe o segredo da vulnerabilidade
Lembraram-se frágeis...

Não julgue os desprovidos de encanto
Talvez tenham sido recorrentes os prantos de socorro que no silêncio sucumbiram
Um dia obtiveram um eco de alento
E ao perceberem ser só o vento a chocar-se na porta
Lembrarem-se sozinhos...

Não aponte os descrentes de bondade
Talvez não tenha havido verdade em qualquer das palavras a eles ditas
Um dia deram ouvidos a um dos mais sábios letrados
E foram ludibriados pela sua ínfima confiança na alteridade que lhes restara
Lembraram-se ingênuos...

De repente, vem alguém à porta
Cobrando-lhes fé? Confiança?

De repente, quando Inês já é morta
Vão pedir-lhe o quê? Perseverança?

Se o homem é capaz de criar um campo de batalha
Se a navalha já não é mais o único meio de fazer brotar o sangue
Se a modernidade criou com ela todos os tipos de medo
Se a humanidade tornou viável a modalidade de degredo interior
Como poderão acreditar em algo, com essa depressão contemporânea?

Se todos os homens lhes bateram, ainda que com flores
Se os maiores amores lhes fizeram chorar
Se o inebrio do sonho lhes fez maior a queda na concretude
Se toda atitude que teve de amor fez desferirem-lhe indiferença
Como poderão acreditar em algo, com essa desilusão atemporal?

Peço-lhe Desculpa, por não poderem.
E questiono: continuarás lutando?

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