Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Silêncio

Refugiei-me no meu mundo para falar de amor
Mas não havia amor
Pensei se seriam também hipócritas alguns poetas...
Mas quem não amou não saberia reconhecer a hipocrisia dos que fingem

Talvez houvesse amor então...
Se eu soubesse reconhecer um poeta fingidor amaria?
E lá eu sabia?

Não havia amor enfim
É tudo que temos para hoje
Nem uma grama desse fardo
Não havia amor para mim... 

Talvez uma dúzia de bananas, um pacote de café
Mas amor? Não se fabrica mais nesse peito gelado
E quer saber? Não havia mais graça também
Nem me fazia diferença.

Só para divagar como os poetas fracos de sustância?
Não me seria defeso fingir que existia
Tampouco que houvesse eu gostaria.

 Não havia e pronto. Assunto encerrado

Nós gostamos de nos refugiar
Para futucar a alma
E de pensarmos tanto criamos algo
Intitulamos amor
Mas talvez sejam gases

Alimentamos um avião de papel
Com turbinas de aço
E damos força para um vôo ridículo
Sobe um palmo do chão
E, uma légua em sonhos

Chega! Os pensamentos anteriores eram mais interessantes
Mas não conseguia lembrá-los
Só sabia que quando pensei neles eram interessantes...
Fiquemos na digressão do amor

Uma angustia adentrou meu cérebro
A cegueira de pensamentos sobreveio novamente
Se meu cérebro permitiu a angústia
Por que impedia formas, imagens e lembranças, mas dava espaço para divagar sobre o amor?
Silêncio

Chacaça

É para tapar o espaço do silêncio
que azulado coloria os cantos vazios daquele cubículo
(Teria cor o silêncio? Ele me parecia azul...)

É ainda para encobrir os espasmos de amnésia
que cinzenta descoloria os cantos cheios daquele meu cérebro
(Cinzenta por pensar em massa cefálica Não haveria de ser outra cor de fato)

Aquilo me encheu de agonia e eu calava
Quando precisava falar para não esquecer
No íntimo quase-vivem pensamentos calados, contínuos e rápidos
Ao falar exteriorizamos e então focamos em um
Este passa a viver É uma fecundação

Rápido escreva rápido

Meus pensamentos geralmente perduram
Naquele momento esvairavam-se, entretanto
Subiam junto com o ar branco cacheado ao céu
E Ele também era motivo dos pensamentos transeuntes

Mas eu não o amava. Nem voltemos nessa chatice
E não queira nem achar depois de anos e interpretações de sábios chatos
Que eu mascarava o sentimento nessas “palavras angustiadas”
Se eu amasse falaria Não sou de meias frases.

Se não são sensações, claramente são gases.
Objetividade e Neutralidade
A alma de um bom discurso.
Aprendi com Bobbio. Quimera

Só ao lado Dele eram nômades as idéias
Não por romantismo.
Mas sim por falta dele: ele não permitia a ninguém mais falar
Era o jeito próprio de Hamlet

Falarem a ele era dar margem a mais problemas
Que ele já tinha de sobra
Ou talvez nem tivesse de pronto

Mas passavam a existir porque na sua cabeça aflita
Eram sementes do mal que na insegurança germinavam
As preocupações despontavam como os sinais da puberdade
E ele ouvia as minhas sinapses, pois adentra a falar de sua infância!

A bem dizer falar para ele também nem se queria
Ele sozinho chegava a conclusões tão satisfatórias
Pois o seu egocentrismo lhe permitia viver epifanias ao ouvir suas meras interjeições

Então eu preferia pensar no azul dilacerando os cantos
Talvez diminuísse minha agonia e me fizesse relembrar o passado
O azul também é a cor do meu passado. Certamente. Um passado azul é necessariamente feliz. Mas tem um quê de monótono e triste. Eu via uma luz no horizonte e fingia compreender os dramas do meu Hamlet


Eu escrevia rápido para não esquecer
Em um tempo verbal já futuro
Mas o drama dos angustiados é presente
E também futuro, porque persiste
Um gênio!

Uma divagação ilógica me dá certeza que o tempo verbal estava correto
Gostaria de ter sido um gênio desde cedo
Para defender teoremas infundados nas provas de matemática
E fazer crer por artimanha da linguagem que havia fundamentos

Mas a matemática é a ciência dos que não amam
Nenhuma explanação por mais ousada é capaz de modificá-la
Tal qual nas ciências humanas
Em que um bom autor transmuta o crido em chacota
A professora burra não entenderia

Deixemos de lado toda essa balela!

Humberto Eco disse em voz de outro
Serem os loucos os estúpidos ingênuos
Agora faz-se o sentido dessa insesatez

E isto me fez lembrar que há paradigmas de nós mesmos
Nós Viemos aqui de máscaras no corrpo
E se você acha que isto deve ser suficiente
Você é o mias completo ignorante

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