Sorriso lânguido, olhar atônito, crepitações de maxilares frenéticos, quebra do silêncio mórbido!
Sussurros loucos que induzem ao êxtase antiético. Gritos que levam ao gemido de voz falha.
Luzes a piscar incessantemente. Arco-íris de desejos. O pote de ouro, a anfetamina dos sãos. Minutos são séculos de prazer intenso. Parar é perder eternidades de copos, drogas e flashes. Ela vibra com timbre das gargantas roucas, pula fora da sintonia musical. Segue a lógica do seu cérebro disléxico, ilógico. Talvez aqueles fossem os últimos minutos. Líquidos no sangue fluem. Overdose de fluidos. Mas quando suturas tempo-parientais se rompem, idéias se soltam, pensamentos escorrem e perde-se a coerência. Tempo? Resposta vazia que faz da lembrança uma ironia medíocre. Conceitos são imposições complexas e abstratas de uma sociedade de tais membros que querem viver a concretude de goles, de corpos. Olhos coesos talvez situassem o passado num virar de olhos na madrugada. Vissem que o futuro não é nada além de segundos previsíveis de novos balanços, cheiradas, frevos psicóticos. E o presente eram estruturas anatômicas mescladas e amorfas, perdidas num lapso de luz. Ela era parte do todo, perderá a individualidade em alguma seringa. Pulou, cheirou, gozou, bebeu e caiu. Foi pisoteada a noite inteira.
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