Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Desajustes

Sorriso lânguido, olhar atônito, crepitações de maxilares frenéticos, quebra do silêncio mórbido!
Sussurros loucos que induzem ao êxtase antiético. Gritos que levam ao gemido de voz falha.
Luzes a piscar incessantemente. Arco-íris de desejos. O pote de ouro, a anfetamina dos sãos. Minutos são séculos de prazer intenso. Parar é perder eternidades de copos, drogas e flashes. Ela vibra com timbre das gargantas roucas, pula fora da sintonia musical. Segue a lógica do seu cérebro disléxico, ilógico. Talvez aqueles fossem os últimos minutos. Líquidos no sangue fluem. Overdose de fluidos. Mas quando suturas tempo-parientais se rompem, idéias se soltam, pensamentos escorrem e perde-se a coerência. Tempo? Resposta vazia que faz da lembrança uma ironia medíocre. Conceitos são imposições complexas e abstratas de uma sociedade de tais membros que querem viver a concretude de goles, de corpos. Olhos coesos talvez situassem o passado num virar de olhos na madrugada. Vissem que o futuro não é nada além de segundos previsíveis de novos balanços, cheiradas, frevos psicóticos. E o presente eram estruturas anatômicas mescladas e amorfas, perdidas num lapso de luz. Ela era parte do todo, perderá a individualidade em alguma seringa.  Pulou, cheirou, gozou, bebeu e caiu. Foi pisoteada a noite inteira. 

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