Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 22 de março de 2011

Girassol

Existiu o girassol
No meio daquele lamaçal
Não era tão brilhante
Nem tampouco mais vibrante que os outros
Mas reinava... Soberbo!
Trazia conflito, pois existem contradições evidentes
Entre dois ecossistemas distintos.
Mas o fato é que fazia daquele cantinho apagado
Um prisma de luz vivo
Outros vinham, nasciam próximos
Tentavam abalar seu esplendor
Mas não havia permissão divina
Para retirar meus olhos daquele varão ínfimo, mas tão meu!
Que tinhoso!
Reafirmava-se com tal segurança e destreza
Que sua singela e manca existência
Ostentava status de mãe-natureza.
Olha lá seu moço...
Quantos outros enormes, amarelíssimos...
E esse a me fazer preso, na minha liberdade de ver.
Tentei olhar as marias-sem-vergonha
Até cravos olhei a bem dizer
A vista ao horizonte, porém, afunilava-se
naquela fonte de questionamento metafísico
O que fazia uma flor alegre no lodo da melancolia?
Aprendi a admira-lo de tal sorte
Que toda a morte do manguezal ressuscitou
E eu na minha impotente ignorância
Incumbi-me da arrogância de retira-lo dali
E lá naquele meu vaso caro e entendiante
O girassol sucumbiu pra mim.

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