Fui a primeira a interferir na cena já consumada, que todos ainda criam fosse se rebobinar. Entretanto, estava feito e tudo que restava eram trechos de pensamentos jogados em dúvidas simuladas. Não havia perguntas, simplesmente porque a única resposta era de conhecimento geral. Mas no incômodo do silêncio e na insistência da ignorância, a interrogação banal não era só pertinente, fazia-se necessária. Refiz meus passos tentando aceitar. Olhei pela segunda vez com mais firmeza tentando vasculhar simultaneamente meu universo de experiência, para checar se lá havia algo póstumo a se reviver. Qualquer coisa que me munisse de forças suficientes a me permitir auxiliar, ou ao menos, possibilitar não piorasse as coisas. Obviamente não havia. Sequer existia naqueles em cujas mão as decisões eram postas a forças. Na verdade, aquele pensamento maduro era desconcertante para os adultos infantilizados pela impotência, com a qual eu aprendera a viver dali pra frente. Data do óbito: 9.12.1992. Hora da morte: o momento errado.
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