Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pensamentos


Eu sou uma daquelas pessoas que curte a geração antiga, mas odeia seus pressupostos distorcidos de hiprocrisia e preconceito. Tenho um pouco de medo do que está por vir em muitos aspectos como perda de alguns valores e confusões de sentimentos, mas certamente a nova geração é mais abeta aos outros, à novidade... Ainda acho, contudo, que prejudicam muito a si mesmos por negligenciarem raízes. Uma hora chegamos na releitua da matriz, ao invés de uma completa excreção do velho. O equilíbrio de conceitos sempre me soou mais propositado.

domingo, 19 de junho de 2011

Brigas

Não exija mais do que pode dar. Pára de me pressionar a ser muito, quando o seu muito é muito pouco. Você é frágil, seu desepero é rouco. Para que quer me ver gritar?
Não vou gastar ficha, com jogo acabado. Não há razões para me sentir sufocado nesta sua sede de se vingar. Vai vai vai. Você tá achando que eu caio nessa? Muda esta cara, não me interessa sua razão para se zangar.
Eu vou embora de mala feita. Porque para lidar com esta sua desfeita, tem que amar demais, o que não é o caso. Com você, eu já me afogo no raso. É exagero querer tentar.

Volúvel

Dá vontade de ficar para sempre. Sair da sua frente se fez desnecessário. É onde gosto de estar. Mas inevitavelmente acaba. Aí eu rondo outros lugares. Na torpeza das pessoas soltas, na alegria do ilixir que deixa tonta, sinto cheiro de novos ares.  Esqueço o dia gostoso entrelaçado em que estar do seu lado era o tudo que fazia sentido. É na companhia dos amigos que eu gosto de estar. Se desconhecesse este viés eu trocava os aneis e fazia-me sua por toda esta vida. Mas já que outros se fazem vivos, também com estes desconhecidos eu me faço consolar. E você fica lá como o melhor deles... Já é um grande êxito não é?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ode aos esquisitos

Eu espero mesmo q vc ñ seja alguém q se importa c/ convicções d outra ordem, c/ o q dizem as pessoas sobre mim, do gosto de zombar daqueles q olham o outro sem olhar para si. Não gosto de humilhar as pessoas, de caricaturar rostos e almas. As pessoas mais estigmatizadas que conheço são as mais valiosas. São afastadas e olhadas com galhofa justamente porque aprenderam a ver cedo algo que alguns viram mais tarde, algo que outros até hj não perceberam. Faço ode aos nerds, esquisitos e desinseridos dos clubinhos idiotas q se formam por aí. Ser só é duro. Fazer parte de uma patota de imbecis é desepero.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Oração

Às vezes tudo muda como céu de tempestade no verão. E eu lembro que tu existes. Aliás, recordo-me que estás lá, quando percebo que me esqueci de ti. Eu não falo muito contigo, não nego. E não há desculpas para isso. A minha vida corrida, as minhas preocupações, os meus momentos de alegria, as minhas conquistas, nada é causa para não te encontrar. Aliás, é mais razão para eu vir a ti. Até porque tudo isso só existe porque tu me deste o dom de viver. Tento ser boa, meu Deus. E sei, com convicção, que nada em mim tem intenção de causar mal a alguém. Não sou santa, posto que erro, mas não faço o mal com o ímpeto de fazê-lo. Se as consequências dos meus atos não são boas não é porque almejo que assim seja. Arrependo-me, reflito, procuro pensar na mente alheia. Vim no mundo para aprender com a visão de quem não sou, de quem me analisa dali. Mas quando tudo gira, não obstante a minha preocupação em não transmitir não buscar pelo errado, vejo que a inveja e que os desentendimentos deixam uma energia ruim no ar.  E, se não falo contigo, esta vibração não vai embora e sintoniza com o frágil de mim, imbricando-se por entre bons fluidos e impedindo coisas, em princípio, fáceis de deslancharem. Faço-me incompreensível, vejo-me mal interpretada. É a hora que me dou conta que não posso resolver tudo e que se há o bem, também existe o mal. Eu sou pequena e não tenho armas todas para eliminá-lo. Preciso de ti. Traz paz, meu Deus.

Desabrochar de um Girassol

É seu aroma de encanto que me faz ser sua rosa. E sua cara de espanto que me faz lhe dar minha prosa. A esta hora. A esta hora? Eu chego tarde, meu bem. Estava na loucura do trabalho, não na companhia de ninguém. Não faça esta cara de convencimento forçado, quando eu procuro seu beijo. Não encana com o despropositado no auge do meu desejo. Eu fico lá contando o tempo para vir aqui. Entre telefonemas e agendas eu me faço distrair. Pinto o seu rosto no ar com as cores do meu desconforto. Sinto seu cheiro ficar em cada parte do meu corpo.

É sua redoma de atenção que me faz ser jasmim. É a certeza da traição que me faz rir assim. E eu me explico. E eu me explico? Eu chego tarde meu bem. É... Então tá, talvez eu estivesse com alguém. Não me faça não querer mais seu carinho, poxa. Não me irrite a ponto de eu te deixar aqui sozinho, seu trouxa. Eu fico lá pensando como vai ser quando eu chegar em casa. As mesmas brigas, a sua cara feia que não passa. E eu tento. E eu tento? Aí eu foco na minha carga de trabalho. As suas desconfianças fazem cada dia mais longo este meu itinerario. Eu espero muito a mais antes de ir embora. Todos já sairam, há muito passou da minha hora.

É sua implicância de ego que me faz ser flor de enterro. É este discurso em que me apego que me causa desespero. Eu não suplico. Eu suplicava? Eu não chego mais do trabalho, amém. É, agora você talvez esteja certo que existe outrem. Eu saio. Não volto. Em paz, eu me solto. O meus minutos de desabrochar não são mais seus. Sem mais delongas, só vim dizer adeus.

E nasce sozinho um girassol.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Há algo sim

Te achegue aqui no cantinho do meu peito. Este lugar já é teu. Te perca aqui na bagunça do meu jeito. Estar aqui já te faz meu? Eu queria te roubar de todo o mundo pra te enquadrar na cabeceira da minha vida. Eu queria gravar cada segundo só para rever nossas ações tão desmedidas. Se briga, é para me ver te procurando, até mostrar ser por dó. Se xinga é só para me fazer exposta, até mostrar que não consigo me fazer só. E eu procuro psicologia nos teus atos tão falhos. E eu encontro na tua rebeldia um pouco de amor recortado em retalhos. Eu costuro todos eles orando a prece de mulher antiga. Eu conserto seu dizeres com minha ilusão há muito repetida. Faço minha oração por ti. É culpa do passado. É arte da sua história que você tem medo de se repetir. Entendo o seu recado, não é preciso uma grande oratória para me fazer te sentir. Basta seu choro na madrugada, para eu entender tua dor. É com o sopro da tua mágoa que se faz meu amor. Ninguém é capaz de compreender a alegria que me trazem tuas tolices. Todos querem me fazer te esquecer ao mostrar o ponto alto de tuas canalices. De fato ele não presta. E daí? Será que é isso que interessa? Porque se é, vou ter de mentir. Vou fazer-me displicente à tua falta de sensibilidade. Vou fazer da tua mais torpe mentira a minha mais eloquente verdade. Se é pra te ter tá bom... Há algo aí dentro. Há algo sim.