Vivemos a crise da super socialidade. Não estamos mais só. Nunca. Não paramos de interagir. E deixamos de intragir. Subíamos elevadores refletindo sobre qualquer coisa que seja. Hoje percorremos esse ínfimo caminho, teclando, postando ou apenas olhando para esse novo aparato. Numa mesa de bar, parte das risadas são compartilhadas instantaneamente com o resto do mundo, enquanto poderiam caber no apenas serem sentidas. Parece que para que bastem ao sujeito que ri, é preciso disseminação. As pessoas não estão mais conectadas com o mundo a sua volta, por mais contraditório que isso pareça ser. Não vivemos nem lá nem cá e a simplicidade dos bons momentos esvairem-se na mutabilidade do dividir. Nenhum instante fica conosco. Tão-só conosco. Tenho medo da hipertrofia cerebral desse fluxo irreversível. Cagar que era uma coisa solitaria. Nem isso mas eu faço só. Só nos resta o banho, enquanto nao forem a prova d'agua essas malditas caixas de pandora. Sempre me disseram que a água era a salvação do mundo!
Desembaraço
Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Diário de todo dia
Todos os dias somos massacrados pelo desamor. Como nunca, estamos sendo maltratados. Repriso: o mundo está virado do avesso e, tristemente, isso não é mais uma apologia, um conservadorismo coxo. Assisto o mais completo desrespeito à dignidade alheia, sem qualquer dor de consciência. Isso me é incompreensível. Mais: causa-me uma dor de dignidade tremenda. Justamente por essa razão, não mais consigo sequer conviver com pessoas que ignoram esse contexto e falam de amenidades. São essas já fruto desse desamor todo... Apego-me então e, cada vez mais, a poucos amigos, para os quais esse caos é evidente. São eles resultado de uma criação estruturada em três pilares fundamentais: fé, amor e cultura. Para alguns coincidentemente, para mim, obviamente, vivem eles a mesma crise existencial que me assola.
sábado, 16 de junho de 2012
Eu, minha Cura
E lá vou eu, refugiar-me em mim.
Mais uma vez. Nessas horas do mais novo sopetão na cara da idiota
possibilidade. Trôpego, esse romantismo
barato, mais uma vez cambaleia. Dessa vez cai? É o que todos observam com
atenção. Nós queremos que não caia (é nossa consciência sonhadora pedindo
ratificação), mas reconhecemos que é plausível e justificável a queda, diante
do pé manco por outros tropeços. Que raiva de me permitir. O Lúdico é o que deve bastar, sob pena de machucar-se duramente. Poupe-se da queda de 20 andares: não é preciso para o
pensamento em voar. Agora se se quer muito sentir o clímax da vontade, que é justamente o momento de sua conversão em verdade, anua com a dor, que também será auge. É imbecil pensar que mais uma vez me deixei levar por essas baboseiras
poéticas. Como mulher que apanha, apanha, e não denuncia. Como Jesus com Mil
Faces. “Já” adultos, igualmente, arranjamos nossas fugas, só são elas mais
severas e degradantes. Vez que correr para o meio da cama dos “pais” já não me
era mais possível, há muito, eu rumava para meu inferninho pessoal. É meu jeito
de me recarregar contra o mundo lá fora que é cruel e não permite que se sonhe por muito tempo. Mundo muito cruel. Persisto, percebendo que me encontrar
comigo na Augusta algumas sextas-feiras e me chamar para um role pode ser
divertido. Virei uma amiga que aceita meus quaisquer convites, já que não havias
reais muitas que o fizessem. A diversão delas era outra. Eu me sugo em momentos simples que nem cócegas fazem às suas necessidades. Pelo menos isso. Ter sacado já algumas coisas, não me faz melhor que ninguém, Pelo contrário. Mais me pego eu nesses dilemas entre o ideal e o real. Algo trivial, na minha vida. De todo modo, eu preciso de pouco para sorrir. Exaltemos esse ínfimo mérito, já que ele me custa tão caro. Preferia, às vezes, afundar-me nessas credinces de que a felicidade está aí no futuro (posto que incerto e passível de quimeras) ou nas aquisições, que passam a ser descontroladas. Infelizmente, não me basta. Momentos é que são caros para mim. Gasto minha grana inteira com pessoas e muitas vezes com esta pessoa que vos fala, tão-somente. É a dose
certa de mim com a qual me faço deparar todas as noites no Astronete às
sextas-feiras aos sons de rocks clássicos e blues - que poucos sabem me fazem
mais feliz que balão de peixinho no parque – para me recompor. Virou uma necessidade. Violo-me com a podridão do homem, dia após dia e, ao fim da semana, preciso desse aconchego em mim, para não matar a esperança de amar, para não sucumbir o altruísmo. De onde eu vim, algumas
coisas rotineiramente observadas com pacificidade simplesmente não eram possíveis e outras, hoje
constantemente atropeladas, nem sequer passavam pela cabeça como dispensáveis. É
respeito, responsabilidade com quem está à sua volta. É fé. Conceitos contra os quais se jogam pedras todos os dias, da porta da minha casa para fora. Diante do risco de inverter meus conceitos, de começar a achar o errado certo, por repetição, acaricio meus princípios, que, felizmente, ainda pedem socorro. Acolho-os, depois das pedras jogadas, faço curativos e dou-lhes apoio moral, para que continuem a sua jornada. Às vezes, contudo, devo assumir que deixo passar algumas pedras que eu poderia alcançar. Em outros momentos, consigo sacar que lancei uma pedra, por vontade própria. Quantas outras vezes não percebo os erros? Havia muito o que aprender.
Fui grossa com aquela mulher e, no mesmo instante em que ela me lançou olhar denunciando meu descaso com minhas raízes, luzes se acenderam. Era a mão boba, já adaptada a esse mundo... Eu, de verdade, sequer percebera (o que não é menos culpa; é sucumbir). Pedi desculpas, mas senti ser pior. Fiquei intimidada, envergonhada mesmo. Apesar de eu não ser escrota, a falta de atenção com as necessidades alheias me deu asco. “Desculpa, não foi minha atenção” não foi bastante. Toquei-a almejando tivesse uma grande felicidade naquele dia. Senti-me protelando-me, enganando-me, tirando o meu da reta, ao levar para o mundo a necessidade de curar o seu ego que eu (e naquele momento apenas eu) ferira. Eu já estava machadiana, pois o mero pensar dar os cinquenta reais que tinha àquela mulher (que às duas da manhã vendia comida em uma balada de playboy) me pareceu exagero. Não querer o troco me pareceu uma saída menos louca. Saída bem Brás Cubas, diga-se de passagem. O ser humano é podre mesmo e eu não era diferente. Dando-me o maior tabefe no rosto, ela recusou, como se pensasse "não me compre". Golpe de mestre. Senti-me péssima. Insisti muito até que ela aceitou não com a gratidão que eu queria ver em seu rosto (estava fazendo aquilo por ela ou por mim?), mas com um "acabemos com essa encheção; se isso fará bem para o seu ego, sua patricinha de merda..." Não era o meu caso, mas ela tinha o direito e fazia sentido que assim pensasse. Pedi para a menina que também utilizava de seus serviços pagar-lhe um real a mais, pois tinha-a visto comentar que faltava dinheiro. A menina aceitou naquele mais ou menos. Não sei se faria, mas pedi que fizesse e repassasse aos demais. E a corrente do bem passou? Não sei... Esses alternativos de merda não chamam para si, em pequenos sinais, as grandes necessidades; "conscientizam-se", contudo, ao achar o máximo campanhas pelo bem social, pela arte do bem. Pergunta se levantam os seus rabos para irem fazer alguma coisa. Eu levanto o meu? Ali também tratei de consertar o meu erro, sem me desvencilhar daqueles malditos cinquenta reais, ato que, em caridade, pensei sem me mexer e que agora, depois de reflexão mundana, machuca-me o ego. Sou tão podre quanto os outros, pois me mantive imóvel, pensando que a minha ação não era nada. Joguei para o mundo uma parte, com a satisfação de que eu não devia fazer tudo. É difícil essa ideia de Jesus, tanto que você leitor deve ter pensado: "meu, era 50 reais, ela agiu certo..." 50 reais é um troco de pinga em muitos dias de balada, mas poderia lhe significar-lhe sucesso em um dia... Não sou rica, mas gastei, por tantas vezes, 50 reais para ENTRAR em uma danceteria. Agora a necessidade de ter-lhe dado aquele dinheiro era para minha felicidade pessoal ou pela dela?
Um pouco mais cedo, a menina desmaiada. Todos vendo, sem nem olhá-la nos olhos. Saí correndo atrás de ajuda: "oi, tem uma meninas ali, caída" contra "Ah, não é comigo" que ouvi em progressão geométrica. Apenas uma hora depois e quase uma vida a menos, alguém se toca, sensibiliza-se e vai até o local oferecer ajuda. Isso sem falar naqueles que foram ao local onde ela estava caída, olharam-na por obrigação moral, acharam que era encheção de mais para estragar as suas festas e voltaram para seus "altares" de ídolo único, que certamente não era Deus. No óbito, abraçam o defunto, dizendo querem tê-lo ajudado, em vida. Porra! Isso não é normal, alguém mais vê? Busquei ajuda e fui embora, crendo mais uma vez que ao mundo incumbia parte do seu socorro, que eu já fizera a minha parte. Mas se sei eu que o mundo é escroto, deixar com ele o destino daquela menina é menos culpa?
Mais tarde, findaram meu dia sugando o pouco que tinha da minha crendice em uma vida de amor. Sem dó nem piedade, brincaram não com meus sentimentos (que ainda era cedo para existirem), mas com minha fé. Isso é muito pior... Jogaram um balde de mundanices nas minhas esperanças em ligações de alma, algo muito mais complexo que se interessar por alguém. Um balde não era capaz de me fazer tremer se eu já não tivesse vindo de uma sequencia de banhos frios. Eu já estava amassada por outras chacinas. Será que temos de esperar o não dá mais dos outros? Chega desse assunto; já me reabasteci e não vou perder isso com pensamentos maus...
Por essas e outras, naquele momento, eu precisava de energia. Não queria permitir me contaminar com a tristeza de assistir o descaso em primeira fila do espetáculo. Eu busquei no Astronete encher-me de paz. Virou meu mantra. Virou minha missa. Era uma apelo ao lado bom de mim que eu não queria que morresse. Era o retirar os apedrejados da multidão. Era dizer coisas boas para mim, diante dos lamentos sabidamente difíceis de refutar. Colo... Calibrei meus pneus, dançando comigo, curtindo do meu eu. Isso me recompõem de falta de amor do mundo, a falta de amor para mim. Dei-me colo. Mais uma vez. Alguém deveria fazê-lo...
Fui grossa com aquela mulher e, no mesmo instante em que ela me lançou olhar denunciando meu descaso com minhas raízes, luzes se acenderam. Era a mão boba, já adaptada a esse mundo... Eu, de verdade, sequer percebera (o que não é menos culpa; é sucumbir). Pedi desculpas, mas senti ser pior. Fiquei intimidada, envergonhada mesmo. Apesar de eu não ser escrota, a falta de atenção com as necessidades alheias me deu asco. “Desculpa, não foi minha atenção” não foi bastante. Toquei-a almejando tivesse uma grande felicidade naquele dia. Senti-me protelando-me, enganando-me, tirando o meu da reta, ao levar para o mundo a necessidade de curar o seu ego que eu (e naquele momento apenas eu) ferira. Eu já estava machadiana, pois o mero pensar dar os cinquenta reais que tinha àquela mulher (que às duas da manhã vendia comida em uma balada de playboy) me pareceu exagero. Não querer o troco me pareceu uma saída menos louca. Saída bem Brás Cubas, diga-se de passagem. O ser humano é podre mesmo e eu não era diferente. Dando-me o maior tabefe no rosto, ela recusou, como se pensasse "não me compre". Golpe de mestre. Senti-me péssima. Insisti muito até que ela aceitou não com a gratidão que eu queria ver em seu rosto (estava fazendo aquilo por ela ou por mim?), mas com um "acabemos com essa encheção; se isso fará bem para o seu ego, sua patricinha de merda..." Não era o meu caso, mas ela tinha o direito e fazia sentido que assim pensasse. Pedi para a menina que também utilizava de seus serviços pagar-lhe um real a mais, pois tinha-a visto comentar que faltava dinheiro. A menina aceitou naquele mais ou menos. Não sei se faria, mas pedi que fizesse e repassasse aos demais. E a corrente do bem passou? Não sei... Esses alternativos de merda não chamam para si, em pequenos sinais, as grandes necessidades; "conscientizam-se", contudo, ao achar o máximo campanhas pelo bem social, pela arte do bem. Pergunta se levantam os seus rabos para irem fazer alguma coisa. Eu levanto o meu? Ali também tratei de consertar o meu erro, sem me desvencilhar daqueles malditos cinquenta reais, ato que, em caridade, pensei sem me mexer e que agora, depois de reflexão mundana, machuca-me o ego. Sou tão podre quanto os outros, pois me mantive imóvel, pensando que a minha ação não era nada. Joguei para o mundo uma parte, com a satisfação de que eu não devia fazer tudo. É difícil essa ideia de Jesus, tanto que você leitor deve ter pensado: "meu, era 50 reais, ela agiu certo..." 50 reais é um troco de pinga em muitos dias de balada, mas poderia lhe significar-lhe sucesso em um dia... Não sou rica, mas gastei, por tantas vezes, 50 reais para ENTRAR em uma danceteria. Agora a necessidade de ter-lhe dado aquele dinheiro era para minha felicidade pessoal ou pela dela?
Um pouco mais cedo, a menina desmaiada. Todos vendo, sem nem olhá-la nos olhos. Saí correndo atrás de ajuda: "oi, tem uma meninas ali, caída" contra "Ah, não é comigo" que ouvi em progressão geométrica. Apenas uma hora depois e quase uma vida a menos, alguém se toca, sensibiliza-se e vai até o local oferecer ajuda. Isso sem falar naqueles que foram ao local onde ela estava caída, olharam-na por obrigação moral, acharam que era encheção de mais para estragar as suas festas e voltaram para seus "altares" de ídolo único, que certamente não era Deus. No óbito, abraçam o defunto, dizendo querem tê-lo ajudado, em vida. Porra! Isso não é normal, alguém mais vê? Busquei ajuda e fui embora, crendo mais uma vez que ao mundo incumbia parte do seu socorro, que eu já fizera a minha parte. Mas se sei eu que o mundo é escroto, deixar com ele o destino daquela menina é menos culpa?
Mais tarde, findaram meu dia sugando o pouco que tinha da minha crendice em uma vida de amor. Sem dó nem piedade, brincaram não com meus sentimentos (que ainda era cedo para existirem), mas com minha fé. Isso é muito pior... Jogaram um balde de mundanices nas minhas esperanças em ligações de alma, algo muito mais complexo que se interessar por alguém. Um balde não era capaz de me fazer tremer se eu já não tivesse vindo de uma sequencia de banhos frios. Eu já estava amassada por outras chacinas. Será que temos de esperar o não dá mais dos outros? Chega desse assunto; já me reabasteci e não vou perder isso com pensamentos maus...
Por essas e outras, naquele momento, eu precisava de energia. Não queria permitir me contaminar com a tristeza de assistir o descaso em primeira fila do espetáculo. Eu busquei no Astronete encher-me de paz. Virou meu mantra. Virou minha missa. Era uma apelo ao lado bom de mim que eu não queria que morresse. Era o retirar os apedrejados da multidão. Era dizer coisas boas para mim, diante dos lamentos sabidamente difíceis de refutar. Colo... Calibrei meus pneus, dançando comigo, curtindo do meu eu. Isso me recompõem de falta de amor do mundo, a falta de amor para mim. Dei-me colo. Mais uma vez. Alguém deveria fazê-lo...
sábado, 21 de abril de 2012
A chegada
Elas tinham em parte razão. A vida havia me deixado muito dura. Mas neste exato momento acaba de ter mudado a minha mania de defeitar as pessoas. Por isso, de alguma forma, sinto que essa é uma carta explicação. Não carta tipo de defunto, antes do suicídio, mas uma carta de vida, o oposto, portanto, e que se inicia agora. Não posso, antes deixar de fazer uma breve consideração. O fato de eu ter sentido a necessidade de fazer a ressalva de que não era um adeus. Parece medo de que o leitor pense que a constatação do defunto em primeiro e em relação a um suicídio era exatamente esse meu elemento mórbido que faria esse testo um ato falho. De outro modo, metalinguisticamente falando, eu não teria alcançado, de plano, a evolução que pretendia: querendo mostrar não ser pessimista, começo o mesmo falando de morte? Ora! Bradariam e desistiriam de ler. Prossigam, contudo, por favor. Garanto que estão equivocadas, pois esse começo não é a exteriorização de um escondido psíquico, mas sim intencionada graça que pretendia conferir ao texto. A dúvida. A ironia. O inusitado, adjetivo que não tem a toa o "O" que o antecede, ao invés do "A". O inusitado é a quebra. Convenci que é a graça do começo da narrativa? Como saberão que eu mesma na verdade não estou tentando me convencer disso, sem notar que todo esse introito é somente e efetivamente a imperceptível (a mim) noção de meus carmas freudianos? Como um paciente que, defronte do analista, diz suas cicatrizes sem perceber que as fala por detrás de cada história. Como se a frustração que o levou a sentar no divã revelador despontasse só para fora, mas de cada excerto, de cada letra de suas histórias. A palavra sai do seu corpo para o analista que a conclui e extrai de cada falha no seu discurso, de cada epifania sua, que entendeu por bem contar aquilo naquele exato momento, mas não saberia dizer por que. Freud explica e o analista sabe. Seria essa digressão de metalinguagem a demonstração de que nada mudou, na verdade, ainda que se ache isso? Creio, dessa vez, definitivamente que não, mas, como sou eu quem vou digo e vocês olham de fora, precisarão ler para saber e avaliar. De fato, quem vive e quem narra são pessoas distintas e quem narra gosta das gramatiquices. Paradoxalmente pelo jogo de palavras pode botar em choque a ideia que veicula com elas. Divagações de nerds. Fato é que este é o exato momento de transição e essa referência, ainda que difícil de acreditar, não é a permanência desse traço, mas a metalinguagem, minha arte e a veste do personagem que escreve. O eu-lírico mudou, o narrador é que permanece o mesmo, por ofício. Seria outra macara? Creio (e não "estou certa"ou estou ciente" o que já é um sinal de mudança) que aqui é real. Explico-me acerca da transformação do ser poético. No meio da conversa, uma delas diz: "Ah Dri, mas você só enxerga e ressalta o lado ruim das pessoas". A conversa parou para mim em epifania e dando regresso à frase já finda e abafada, perguntei: "Você acha?" A minha outra amiga, sabendo um pouco mais da minha sensibilidade amansada pelo contexto da minha vida preparada contra o entrar de cabeça, prossegue com o próximo tópico. Eu insisto com Ana, ignorando minha velha amiga: "Você acha?" Ana responde subitamente que sim e olha, na sequencia, para Júlia, verificando sua ação e demonstrando em olhar suas razões. Como se, naquele momento tivessem discutido mentalmente um contrato, assinado e felicitando-se um a outra pela sensação de necessidade e missão necessária cumprida. Elas haviam percebido que eu nunca tinha sequer notado aquilo em mim. Achei por um momento que elas esperassem que eu tivessem visto, mas acabaram ali, notando que talvez não me era tão possível. Percebi que amar de verdade como se amavam é evolução. Felizmente, naquele momento elas concordam em mente inteligida que talvez fosse adequado falar e o fizeram. Eu, habituada com meu eu que estava se desprendendo de mim e se despedindo, tentei ainda cavar o auxílio da minha amiga de mais longa data, com uma frase de efeito. Como se tirasse a razão de Ana pelo desconhecimento, que é sempre um aliado do "é que eu não sabia desse ponto", embalei um "eu sempre fui assim", olhando em espera de confirmação para minha antiga amiga, como se cavasse. Sabia no meu âmago, contudo, que a minha amiga mais recente era paradoxalmente tão conhecedora de mim como minha antiga minha. São esses em laços familiares cármicos que não se explica... A famosa de Vinícius de que amigos não se conhece, mas se reconhece. Voltando, Machado! Sabendo que o "eu sempre fui assim"menos que definir um algo como mancha de nascença indissociável e inexplicável, justificativa justamente uma motivação para manutenção dos meus erros e mostrava um certo comodismo da minha parte, Júlia, em missão de fiel pagadora de seus tratados, minha amiga Júlia surpreendeu-me não ao trocar o “é verdade” esperado pelo “Já está na hora de evoluir, então”. Com conhecimento de causa para reafirmar a verdade daquele ciclo com um "é verdade", isto é, podendo fazer uma análise comparativa do presente e passado que Ana, conforme sabidamente captado pelo meu lado podre de mim, não poderia fazer, Júlia podia dar cabo àquela discussão, dando-me razão. Não o fez, felizmente e tudo aquilo se inseriu em uma cadeia de necessidades e coincidências divinas (elas não poderiam ter planejado antecipadamente esse acerto quanto ao ensinamento que eu acabara de ter. Ela não precisamente falou "é mentira", mas causou-me o mesmo embaraço do que uma negativa de argumentos apresentados. Ana olha para ela como se a pedisse um pouco de calma e poda-se-lhe o exagero da notícia dura sem um pouco de psicologia. Não era o 8 da omissão e nem o 80 do soco, deveria ser um tapa de leve. O primeiro, da Ana havia sido sem querer, mas se fez necessário, concordaram, portanto ambas em revelá-lo, o segundo veio na guela abaixo. Júlia que era mais racional, mas também mais impulsiva (é possível ser racional e impulsiva, simultaneamente ou é contraditório?). Fique claro não tinham tom de crítica; somente me aceitavam assim (coisa que eu devia fazer com as pessoas), sabendo da existência desse meu defeito, e esquecendo dele, porque havia outras coisas. Eu não só queria que assim fosse, eu sabia que era assim. Talvez também tenha percebido que me preocupo demais com os outros, coisas que também vi ter sido um comentário passado, nos olhares e também epifanei, razão pela qual também está após a frase “eu não queria que assim fosse, eu sabia”, como se precisasse mostrar ao leitor que soubesse. Eram dois defeitos, mas o primeiro foi necessário, o segundo só acabou vindo junto. Não percamos o foco com a abertura da caixa de Pandora. Voltemos ao pensamento acerca do meu pessimismo, cuja lembrança pode justamente dizer razão ao meu pessimismo, mas não aqui, haja vista não estarmos a falar do meu momento negro anterior que eu acabara de perceber, mas sim diante do exato momento de minha epifania. Aliás, conjugando os fatores do pensamento estrito delas... (i) “quando eu encanava acerca do defeito de uma pessoa eu me impedia de ver o lado bom dela, justamente porque eu passava a dar tamanha importância ao defeito que me bloqueava qualidades que talvez fariam muito do(S) defeito(s) um mero detalhe aceitável” (ii) “isso era um defeito” (iii) “defeitos devem ser mudados”, ...eu tinha toda razão esclarecida oposta à minha razão ignorante para não atentar para um defeito (passei justamente a dar tanta importância para a contrariu sensu minhas qualidades que me impedira ver esse defeito matriz. Me senti no matrix. Ninguém iria me entender. Fato é que no meu caso não aplicar pela primeira vez a minha descoberta em face de minha mesma era o único jeito de aplicá-la. Colocaram assim nos meus olhos a lente necessária a perceber algo que viam a olho nu. O observador que não se mistura com o ente observador, vê com o objetividade o corpo exposto ao seu crivo. Percebi que Clarice também desenvolvia as mesmas pira que eu nesse estado que só quem o vive nesse exato momento o entende. É nesse exato momento que recomendo-os a ler: Chapado. Caso contrário, não entenderia. Percebi que Clarice era uma chapada e desculpe-me seus familiares, caso não possam entender que considero isso um elogio. Percebi, na esteira de todos os pensamentos que vinham me reabrindo para o amor: eu estava errando. Na verdade, essa perecia uma das últimas conquistas para que eu pudesse recomeçar a amar: relevar os defeitos era o primeiro grande passo para, de fato, permitir o amor. Sentia que estava chegando aquele momento. Eu me apaixonaria novamente e em breve. Deus colocasse em meu caminho, aquela pessoa que amo sem nem conhecer ainda... Eu sabia que estava vindo. Estava chegando a alma gêmea.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Óbito (?) de um Ente Próximo
Atiraram contra ele.
Vários tiros e sucessivos.
Há chances? Restam-lhe chances?
Acudam-no.
Ainda dá tempo?
Boca a Boca...
...Não salva
Sem continuidade será somente primeiros socorros.
É preciso mais.
Choques...
... Certamente serão muitos e de todos os tipos.
É preciso achar a frequência correta.
Calibragem constante.
É o que se faz?
A mente permanece conosco?
Não sei, há momentos em que simplesmente não sabemos.
Está morrendo, está morrendo.
É necessário doação e digo mais:
Todos os órgãos deverão ser doados.
Sem isso, a sobrevida é pouca.
O coração será dividido ao meio e deslocado.
Será possível viver mesmo assim?
Alguns não conseguem.
Quase ninguém mais se propõe a esse transplante.
Pode ser dolorido. Pode ser bem dolorido.
Corta, sangra, às vezes não cicatriza.
Nunca.
É cirurgia sem volta.
E pior: nem sempre para ambas as partes.
Talvez uma carregue a metade do outro para sempre.
Talvez não cuide do quanto recebido.
Talvez não saiba sequer que foi doado.
Talvez...
De fato, não há garantia de sucesso.
Tampouco certeza de retorno.
A ciência não explica nada
E se algo fala, não nos é suficiente
É preciso estar diante desse acidente
Suicídio socialmente consentido
De outro modo, não é possível entendê-lo
Quer-se que salve? Quer-se mesmo que salve?
Ainda clamam que sim...
É preciso salvar o Amor!
/\/\/\/\/\/\_________________________________________________________________/\
domingo, 8 de abril de 2012
A minha Páscoa
Fez sentido. Durante anos da minha vida, cuidaram da minha espiritualidade. Minha avó, de generosidade e amor que dispensam comentários, mantinha perto de mim as boas energias. Minha vida ia sempre em progresso e eu arrogava apenas ao meu suor os méritos obtidos. Não era só isso e talvez fosse esse a parcela menos significativa. Eu tinha equilíbrio para me dedicar e essa é a parcela que importa nessa existência, vez que condiciona a nossa capacidade de seguir adiante com a serenidade necessária a enfrentar os percalços da vida. Em desespero, toda dedicação do mundo é em vão. E o equilíbrio vem de algo transcendental: é a dedicação da alma e não da matéria, o que foi garantido a mim por ELA, com o seu orar em bem alheio e com os seus ensinamentos sobre a bondade, o altruísmo e a necessidade de agradecer. Em meio às minhas vontades, esqueci do lugar onde me coloco e por quê. Deixei de lado o fato de que tenho um fim em mim mesma, não para mim, mas para o todo. Os amigos dessa vida, a família dessa vida, a profissão, os desafetos e os amores não são coincidência. Minha vó se foi e tenho certeza que de onde está ela se mantém em oração constante para que eu me ache. Mas fato é que o campo aberto entre mim e ela foi fechado pela minha mundanice, ao menos até agora, porque nós, seres do palpável, fazemos isso quando nos deparamos com a morte. Fechamos o caixão. Entendemo-na como fim... Não é e só sabemos disso, quando (1) oramos forte; (2) sentimos as vibrações de amor dos nossos ascendentes, descendentes e amigos que delas cuidam; (3) conseguimos destrinchá-las. Ora, não é uma energia amorfa; tem cara e identidade em suas frações. Sinto a parcela de cada um, como se vivenciasse o sentimento de retomada, de associação daquela emoção com o seu ponto de origem. É como reencontrar um amigo na rua e reconhecê-lo, recordar quais as histórias que partilharam, saber que aquele sensação só ele traz a você. É minha vez de manter em meu entorno essa luz, com amor e perseverança. E eu, sem ela, aqui lutando não via como não mais conseguia algumas coisas, não obstante me esforçasse. Repito: nem toda dedicação do mundo é capaz de elevar um ser desequilibrado; é preciso dedicação de fora desse mundo, mas dentro da sua alma. Hoje, nesse dia de renovação, tive a minha revelação: Eu precisava de Deus. Eu precisava entender que a felicidade não precisa de meios de propagação, chega a você, quando você doa para o mundo a sua parte. É o simples, retórico, mas em concretude esquecido amor ao próximo, que colocamos de lado toda vez em que o querer que algo melhore se perde atrás do notar que as dificuldades são formas de amadurecer o espírito e que há sempre alguém precisando de você equilibrada para que possa estender-lhe a mão. Sejamos mais.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
A Balada (reflexões de um ser mud(t)ado)
... E aí você aprende que ser elegante e cuidar dos detalhes é muito mais sexy que mostrar deliberadamente seu corpo. Aliás, você entende que mostrar muito não é necessário para conseguir nada. Aliás (em riso gostoso de melhor constatação), você começa a não QUERER nada. E entre olhares de quadros (que você antes não notara) e lembranças mentais de histórias (que você outrora não vivenciara), você atine haver nos outros parcela significativa da pessoa que você era. Observa com vagar o tipo de gente que elas atraem e, em comparação humana imediata, recorda dos homens que atraía e de algumas insensatezes de jovens tropicais. É a hora em que a necessidade do tempo para a identidade se faz epifania, que agora lhe é recorrente. Conclui, em graça de suspiros, que a insegurança lhe parecia indissociada da similitude e agora lhe é tão simples no seu ser como tal, ainda que e graças a Deus diferente. Você consegue fazer uma fotografia mental do exato instante em que do seu rosto saiu um borrão do escuro e entrou sua própria cara. Você reafirma assim a noção número 1: a proposta mais permanente dos afeitos à sensualidade sofisticada é diferente do agir impulsivo e desesperado comum aos adeptos da vulgaridade do escancarado. Aí você volta feliz para casa, muito mais consciente da sua felicidade do que antes...
Assinar:
Postagens (Atom)