Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

domingo, 8 de abril de 2012

A minha Páscoa

Fez sentido. Durante anos da minha vida, cuidaram da minha espiritualidade. Minha avó, de generosidade e amor que dispensam comentários, mantinha perto de mim as boas energias. Minha vida ia sempre em progresso e eu arrogava apenas ao meu suor os méritos obtidos. Não era só isso e talvez fosse esse a parcela menos significativa. Eu tinha equilíbrio para me dedicar e essa é a parcela que importa nessa existência, vez que condiciona a nossa capacidade de seguir adiante com a serenidade necessária a enfrentar os percalços da vida. Em desespero, toda dedicação do mundo é em vão. E o equilíbrio vem de algo transcendental: é a dedicação da alma e não da matéria, o que foi garantido a mim por ELA, com o seu orar em bem alheio e com os seus ensinamentos sobre a bondade, o altruísmo e a necessidade de agradecer. Em meio às minhas vontades, esqueci do lugar onde me coloco e por quê. Deixei de lado o fato de que tenho um fim em mim mesma, não para mim, mas para o todo. Os amigos dessa vida, a família dessa vida, a profissão, os desafetos e os amores não são coincidência. Minha vó se foi e tenho certeza que de onde está ela se mantém em oração constante para que eu me ache. Mas fato é que o campo aberto entre mim e ela foi fechado pela minha mundanice, ao menos até agora, porque nós, seres do palpável, fazemos isso quando nos deparamos com a morte. Fechamos o caixão. Entendemo-na como fim... Não é e só sabemos disso, quando (1) oramos forte; (2) sentimos as vibrações de amor dos nossos ascendentes, descendentes e amigos que delas cuidam; (3) conseguimos destrinchá-las. Ora, não é uma energia amorfa; tem cara e identidade em suas frações. Sinto a parcela de cada um, como se vivenciasse o sentimento de retomada, de associação daquela emoção com o seu ponto de origem. É como reencontrar um amigo na rua e reconhecê-lo, recordar quais as histórias que partilharam, saber que aquele sensação só ele traz a você. É minha vez de manter em meu entorno essa luz, com amor e perseverança. E eu, sem ela, aqui lutando não via como não mais conseguia algumas coisas, não obstante me esforçasse. Repito: nem toda dedicação do mundo é capaz de elevar um ser desequilibrado; é preciso dedicação de fora desse mundo, mas dentro da sua alma. Hoje, nesse dia de renovação, tive a minha revelação: Eu precisava de Deus. Eu precisava entender que a felicidade não precisa de meios de propagação, chega a você, quando você doa para o mundo a sua parte. É o simples, retórico, mas em concretude esquecido amor ao próximo, que colocamos de lado toda vez em que o querer que algo melhore se perde atrás do notar que as dificuldades são formas de amadurecer o espírito e que há sempre alguém precisando de você equilibrada para que possa estender-lhe a mão. Sejamos mais.

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