Às vezes, é somente preciso se perder para se achar. Há momentos em que a inércia toma conta da vida e passa à margem da noção e da intuição do ser vivente, ainda que o mundo aqui fora se lamente, e Deus dê seus toques em breves, mas constantes ocorrências. Todos verão menos o sujeito que dela se faz maior uso. Para ele, tudo serão meras coincidências ou, no máximo, risco a dar mais graça e instigação aos relatos de suas loucuras. Poderão haver dois no poço: o que entendeu ali e o que sequer naquele lugar foi capaz de compreender. A vontade é tal qual a evolução, de modo que uma epifania contada é, ao receptor, apenas denotação, sem significação conotativa. Morre em um conto de bar ouvido até com surpresa, mas sem experimentação evolutiva. Deus fechou as portas na marra dos locais em que não devo entrar, ao menos até que eu retome meu eu e possa viver sem que a inércia me condicione. Até que possa eu entrar, captar e sair, antes do show acabar. Perdi, por um tempo, a capacidade de escolha refletida, os freios que poupam o degradar da minha alma. Tudo pareceu diversão até que o presente da vida se viu ameaçado pela perda da minha identidade, nisso tudo. Não acho que se tenham cortado os prazeres mundanos eternamente de mim, posto que são eles necessários às minhas elucubrações e conquistas de espírito, nesse plano, com essa carcaça de que agora me faço uso. Acho, contudo, que da forma como os vivi não acharia nada a me enriquecer a vivência, pois fechados estavam meus poros à racionalidade, à minha fé. Nenhuma maturidade espiritual angariaria vivendo-os na loucura, com a identidade blasé do coma. Sou o terceiro que não chegou ao ambiente inóspito e escuro. Não quero exatamente hoje algumas coisas, porque sei que desaprendi como devem ser vividas: com a parcimônia de um ser equilibrado, que sabe o que compreender os porquês e as necessidades de seu enfrentamento. Nada me virá por osmose. Obrigada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário