Depois de anos para chegar a esta vida estruturada, a única vontade que tenho é de virar tudo do avesso para ver se me esqueço do "tudo disso", que na verdade é nada. Esta é a razão dos meus lamentos: o tudo não ser nada. Mas não é tão complexo e vago quanto parece. Aliás, é a concretude a razão das minhas divagações: Eu só queria ter um lugar ao sol. Um lugar condizente com minha luta. Disseram que eu alcançaria com muito suor, mas este suor tem outro nome. Obrigada pelo idealismo e garra, família, mas não é bem assim. Não quero mais vestir o meu terninho, pegar meu carro parcelado e dar de frente com um muro de impossibilidade. E olha que já é muito eu ter meu carro. "Levanta aos mãos para o céu e agradeça". É o máximo que a mim é possível e cheguei lá. Cada um tem o seu limite. Este é o meu. Ao menos, se seguir este padrãozinho patético de well fair state. Well, fair não é! Não nasci com o cu pra lua e a culpa é sua. Desculpe Senhor, mas é. Eu daqui juro que luto e muito. Mas enquanto eu dou braçadas longas, me acenam de um yate. Nenhuma braçada para eles. Saíram nadando, matriculados antes de nascer na escola do Baywatch, na qual o diretor era amigo do pai de... Eu não tive muitos cursos, mas não posso reclamar do suado investimento de escolas particulares e até algumas terapias. A Faculdade pública foi a parte do meu mérito, que era o mínimo que eu poderia fazer pelas fichas em mim apostadas e pelo meu país, que se não dá chances para todos, deu para mim. Era uma certa dívida social. E foi lá que eu vi que o mundo não era colorido, para todos. De lá enxerguei quem ía e por que. Não, não era pelos lugares quentes das primeiras carteiras, que eu, contudo, ocupei. Nem tampouco pelas noites de estudo que eu, muitas vezes, enfrentei. Era o bolso do pai, a influência da mãe, e alguns telefonemas. Sempre me doeu esta injustiça que me segurava as asas e não me permitia sair do chão. E não é folga, meu amigo, nem inveja. É sorte e auto-estima! Esbanjem os seus castelos, eu não quero que não o tenham: só queria ter o meu, e que todos pudessem construir seus próprios palacetes, se ralassem para isso. Mas não é assim. Esforço + Persistência não é igual a dinheiro e sucesso. Há muitas variantes nesta equação. Variantes, contudo, que quem escreve não é você. Muitas braçadas para eles e uma caimbrã a mar aberto. Eu não escolhi a caimbrã, você escolheu? Desculpem-me os que ralaram muito, mas vocês tiveram sorte. Não diria que é 100% culpa dela, mas digo eu que ralo os 50% que me competem e a outra metade que incumbe a algo transcendental é justamente a fração imprescindível às minhas conquistas e isso é o que me fode. Assim, é que digo: desculpem-me, é sorte! Quantos mil dão com os burros n'água enquanto nos baseamos nos ínfimos exemplos de sucesso, que nada mais são do que uns sortudos filhos da puta, por nos fazerem levantar a bunda para se foder. Fossemos adeptos à matemática, ficaríamos sentados, esperando, porque não valeria a pena confiar no êxito diante das porcentagens de fama face ao anonimato. Estar na hora certa, no lugar certo - e o mais desconsertante para alguém como eu - com a pessoa certa é o que permite. Aí meu amigo, seja Bem Vindo. Por muito tempo achei que quem estava desempregado era folgado, desocupado, picareta. Hoje, acho-os somente conscientes. Conscientes de que não podem ir além das amarras sociais, de que este país é uma vergonha para quem não tem dispositivos abridores de portas, que eu chamo de contatos. Sabem eles tão-só que não adianta tentar, se quem manda lá em cima, simplesmente conhece alguém aqui embaixo, que, infelizmente, amigo, não é você. Danem-se suas braçadas, se o cara é casado com a irmã da prima da Sofia, que é casada com o tio do distante Magalhães. Tu vai morrer na praia, neguinho. Brasil é Tropa de Elite. Recomendo vivamente que você saia desse ciclo de grana, portanto, e procure na vida algo que depende de suas relações, de seus amores... Isso é o que dá prazer a vida nossa de cada dia.
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