Hoje percebi que a nova geração vem renovada.
Nasce a geração que conhece a luta e defende a causa dos homossexuais, sem precisar ser homossexual. Nasce a geração menos hipócrita que aquela que aceitava o gay por vê-lo como diferente. Nasce a geração diversa daquela que respeita o amigo, mas, no fundo, espera que um dia ele se cure. Nasce a geração tão diferente daquela que aceitava o próximo (desde que ele não fosse tão próximo), mas que na roda dos amigos (que taxava “normais”) sussurrava ser uma rusga na criação daquele nem tão seu amigo coitado.
O irmão de 15 anos de uma amiga de infância, a qual se declarou gay, elogiou a postagem do seguinte slogan:
Não, ele não é gay. Se seu pensamento seguinte foi: “então ainda vai ser” pare de ler. Este texto não é para você. Você vai ser, nos livros de história do nosso futuro, aquela exata parcela da população extremamente conservadora e pouco ilustrada, que ainda demora a ceder à teoria de que não é a Terra que gira em torno do Sol. O Lucas simplesmente sabe e luta com sua irmã pela batalha da qual ela e agora ele fazem parte, independentemente do que ele hoje se entende ser.
Foi a batalha de sangue escorrido e lágrimas engolidas que os negros enfrentaram e que hoje o mundo na ética abraça. Foi a bandeira erguida pelas mulheres que conseguiram hoje guarida da lei. É a conquista que sempre terá um ranço social indelével, do politicamente incorreto. Essa reminiscência de preconceito - infelizmente, nítida há poucos - que engatilha a luta de classes em prol do que, dali a anos, será o óbvio.A essência que alguns conseguem apreender é a luta que passa a ser igualmente pertencente a você, ainda que não necessariamente seja sua. Esse avanço se dá no exato momento em que se nota que o comum é ser (verbo) humano. Aí se torna mais que socialmente despropositado e moralmente condenável não se rebelar contra aquilo. Sob pena de se renegar a dignidade humana é que passa a se defender a defesa daquela causa.
Também parem de ler este texto aqueles que crêem superadas as manifestações de preconceitos contra negros e mulheres. O fato de existir razão (já parou para pensar nisso?) para se rir de piadas de mulher na cozinha (por que simplesmente não haveria graça se o personagem fosse homem?) e a referência mental à Amélia como boa esposa não são amenidades, em sua semântica contextualizada. Passamos nesse debate pela calorosa discussão acerca das mulheres que são ainda chamadas putas por fazerem exatamente o que um homem faz. Ou os atos de ambos são promíscuos ou não serão e nem questiono se isso pode ser intitulado promiscuidade. O fato por trás disso é que tal reflexão deve ter de si desprovidas considerações sobre o sujeito. O agir será ou não promíscuo, em sua singularidade, independente dos genitais de quem os realiza.
O mesmo se dá contra os negros. Sofrem eles preconceito ainda. Possivelmente, proclamar-se-á o Brasil como o país da igualdade, refutando-se o cabimento dessa afirmação. Se você acha que não há mais preconceito, peço pensar em três situações. Eu pude, por coincidência de sexo e profissão, viver essas exatas mais comuns três formas de preconceito social contra os negros, que sei você não conseguirá contestar. Negro é “aceito”, mas (i) não pode “entrar para a família”; (ii) não é tão visto em determinados empregos; (iii) são a maioria dos indivíduos interpelados pela polícia, como suspeitos.
Na minha família vi esse primeiro embate. A despeito de educada por pessoas já mais ilustradas espiritual e culturalmente, o preconceito imbricado no amor ao genealógico do clã italiano ariano deixava suas marcas. O embate entre o correto e o outrora correto era rico, em sociologia. Eu podia ter colegas e amigos negros e era errado destratá-los, porque simplesmente eles não eram diferentes. Cresci assim, ouvi isso dentro de casa e na escola. Mas quando me envolvi sexual e amorosamente com um negro, o papo foi outro. E aí eu não sabia mais nada. E a contradição interna dessa antagônica correspondência de corretos colocada diante de seus olhos causou-lhes embaraço (não foi propositada, mas certamente nada se fez de despropositada a aliteração). E eles não sabiam se justificar, porque a justificação passava pelo exato momento em que se tornava ela imoral. Na minha profissão vi esse segundo embate. Entre um negro e um branco, prefere-se na contratação um candidato à advogado branco. Falem o que quiser. Sei que no fundo vão engolir quietamente (por medo de parecer racista, que se lembram hoje ser crime) a constatação da verdade Outrossim, em pesquisas renomadas, em termos matemáticos e amostrais (procurem e achem a rodo; omito a fonte não por inexistência ou medo de contradição, mas por mera falta de lembrança dos registros) os negros aparecem como os indivíduos mais parados pela polícia. Não tenho dúvidas que o leitor intua isso, primeiramente com enorme normalidade, e, se atento, posteriormente, questionando-se se o seu pensamento pode denotar o permanecer entre nós do preconceito... Ainda que você desconfie do meu conhecimento sobre o último assunto, em razão da omissão da fonte, não pode negar que: se não é experimentalmente assim, o seu pensamento denunciou uma realidade. Não é sinal do preconceito você poder saber ser isso a verdade?
Na minha família vi esse primeiro embate. A despeito de educada por pessoas já mais ilustradas espiritual e culturalmente, o preconceito imbricado no amor ao genealógico do clã italiano ariano deixava suas marcas. O embate entre o correto e o outrora correto era rico, em sociologia. Eu podia ter colegas e amigos negros e era errado destratá-los, porque simplesmente eles não eram diferentes. Cresci assim, ouvi isso dentro de casa e na escola. Mas quando me envolvi sexual e amorosamente com um negro, o papo foi outro. E aí eu não sabia mais nada. E a contradição interna dessa antagônica correspondência de corretos colocada diante de seus olhos causou-lhes embaraço (não foi propositada, mas certamente nada se fez de despropositada a aliteração). E eles não sabiam se justificar, porque a justificação passava pelo exato momento em que se tornava ela imoral. Na minha profissão vi esse segundo embate. Entre um negro e um branco, prefere-se na contratação um candidato à advogado branco. Falem o que quiser. Sei que no fundo vão engolir quietamente (por medo de parecer racista, que se lembram hoje ser crime) a constatação da verdade Outrossim, em pesquisas renomadas, em termos matemáticos e amostrais (procurem e achem a rodo; omito a fonte não por inexistência ou medo de contradição, mas por mera falta de lembrança dos registros) os negros aparecem como os indivíduos mais parados pela polícia. Não tenho dúvidas que o leitor intua isso, primeiramente com enorme normalidade, e, se atento, posteriormente, questionando-se se o seu pensamento pode denotar o permanecer entre nós do preconceito... Ainda que você desconfie do meu conhecimento sobre o último assunto, em razão da omissão da fonte, não pode negar que: se não é experimentalmente assim, o seu pensamento denunciou uma realidade. Não é sinal do preconceito você poder saber ser isso a verdade?
E por que discorrer sobre o preconceito a negros e mulheres aponta uma nova fase? Porque nessas lutas estavam os negros de um lado e os brancos do outro até que as cores se uniram, porque eram todos iguais em seu ser. Os homens dali e as mulheres de lá ergueram a mesma bandeira, porque eram gêneros da mesma espécie humana. E assim caminham as conquistas. E é nesse ponto que os gays chegaram agora, depois de tanta luta, após inúmeras mortes. Achei que minha geração não teria o seu marco... Mas vejo nitidamente (como se ouvisse meu professor de histórias nos apresentar alguns textos mais vanguardistas daquele passado) o momento em que essas fichas estão caindo e que é possível dizer tudo isso sendo inteligível.
