Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Balada (reflexões de um ser mud(t)ado)

... E aí você aprende que ser elegante e cuidar dos detalhes é muito mais sexy que mostrar deliberadamente seu corpo. Aliás, você entende que mostrar muito não é necessário para conseguir nada. Aliás (em riso gostoso de melhor constatação), você começa a não QUERER nada. E entre olhares de quadros (que você antes não notara) e lembranças mentais de  histórias (que você outrora não vivenciara), você atine haver nos outros parcela significativa da pessoa que você era. Observa com vagar o tipo de gente que elas atraem e, em comparação humana  imediata, recorda dos homens que atraía e de algumas insensatezes de jovens tropicais. É a hora em que a necessidade do tempo para a identidade se faz epifania, que agora lhe é recorrente. Conclui, em graça de suspiros, que a insegurança lhe parecia indissociada da similitude e agora lhe é tão simples no seu ser como tal, ainda que e graças a Deus diferente. Você consegue fazer uma fotografia mental do exato instante em que do seu rosto saiu um borrão do escuro e entrou sua própria cara. Você reafirma assim a noção número 1: a proposta mais permanente dos afeitos à sensualidade sofisticada é diferente do agir impulsivo e desesperado comum aos adeptos da vulgaridade do escancarado. Aí você volta feliz para casa, muito mais consciente da sua felicidade do que antes...

domingo, 1 de abril de 2012

O Não Amar

É da boca pra fora. É a vontade de poder fazer as palavras serem a verdade da alma. Infelizmente, não é. Eu não amo você, nem poderia. Parece não haver contexto e o amor, quando de fato vem, simplesmente se encaixa sem mensuração racional de possibilidades. Aceita-se cada tropeço, sem doer as articulações. A trilha é plana, ainda que não. É um que anda em romaria de gratidão, carregando-se mutuamente em comunhão. Diante do binômio inexato, não correspondente, que é esse nós dois cada empecilho me vem à vista, trazendo hesitação ao seguir. Dá-me cãibras no só olhar o caminho que haveríamos de seguir. É montanha antevista. São dois a correr em suplício de dor, aguentando-se em revezamento por sacrilégio. Essa vontade desesperada de amar mais uma vez que me impulsiona a dizer essas palavras sem sentido, sem força de espírito... Como eu queria amar você, mas não amo

Oração Diferente

Às vezes, é somente preciso se perder para se achar. Há momentos em que a inércia toma conta da vida e passa à margem da noção e da intuição do ser vivente, ainda que o mundo aqui fora se lamente, e Deus dê seus toques em breves, mas constantes ocorrências. Todos verão menos o sujeito que dela se faz maior uso. Para ele, tudo serão meras coincidências ou, no máximo, risco a dar mais graça e instigação aos relatos de suas loucuras. Poderão haver dois no poço: o que entendeu ali e o que sequer naquele lugar foi capaz de compreender. A vontade é tal qual a evolução, de modo que uma epifania contada é, ao receptor, apenas denotação, sem significação conotativa. Morre em um conto de bar ouvido até com surpresa, mas sem experimentação evolutiva. Deus fechou as portas na marra dos locais em que não devo entrar, ao menos até que eu retome meu eu e possa viver sem que a inércia me condicione. Até que possa eu entrar, captar e sair, antes do show acabar. Perdi, por um tempo, a capacidade de escolha refletida, os freios que poupam o degradar da minha alma. Tudo pareceu diversão até que o presente da vida se viu ameaçado pela perda da minha identidade, nisso tudo. Não acho que se tenham cortado os prazeres mundanos eternamente de mim, posto que são eles necessários às minhas elucubrações e conquistas de espírito, nesse plano, com essa carcaça de que agora me faço uso. Acho, contudo, que da forma como os vivi não acharia nada a me enriquecer a vivência, pois fechados estavam meus poros à racionalidade, à minha fé. Nenhuma maturidade espiritual angariaria vivendo-os na loucura, com a identidade blasé do coma. Sou o terceiro que não chegou ao ambiente inóspito e escuro. Não quero exatamente hoje algumas coisas, porque sei que desaprendi como devem ser vividas: com a parcimônia de um ser equilibrado, que sabe o que compreender os porquês e as necessidades de seu enfrentamento. Nada me virá por osmose. Obrigada.

terça-feira, 27 de março de 2012

Ouvir Sinos

Enfim sos. Ele pegou na minha mao, olhou fundo na minha alma e suspirou uma constatacao contida em recatos e razao. Não era ora de dizer pois isso estragaria a sintonia de ambos a intuirem. Aquela frase gemida estava lapidada como momento nosso. Momento em que simplesmente soubemos. Mentalizei gratidao a Deus e vivi aquele amor que não precisava de expressao

sábado, 24 de março de 2012

Não escrevo muito. Eu sou subjetiva. Dou sinais da mentira que conto. Pareço indecisa. Eu sei o quero. Talvez eu não saiba. Eu sei o que era e está longe de onde agora caibo. Eu sou impassiva.

quinta-feira, 22 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Contraprestação

Há dias que não paro para pensar na vida. A vida se encarrega de pensar em mim. Dá-me cada dia um leão. Não por pedido. Odeio a sintaxe. Bom, de toda forma, eu mato todos. Mas, de forma tola, pergunto à vida: quando terei uma presa idiota?