Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Diário de mais uma Madrugada

Mais um dia de trabalho daqueles que rendem. Acabo orgulhosa, a 1:30 da manhã, uma peça de 95 páginas, que, obviamente, serão amanhã - após um novo dia de trabalho - reduzidas a 75. Saio podre. Chego em casa e Caetano acerta: nada me consola, mas a aflita sou eu. Não durmo, ainda que o corpo esteja cansado. A mente ainda se ocupa pelos meandros quase míticos do trabalho "findo". Ouço, em meio a pensamentos pessoais, o som das teclas do computador a dar-lhes vida. Não estava na hora de pensar no setor "Sentimentos". Daí me dou conta que nada em mim é compartimentos. Repito, ainda sem total domínio do que penso, sentenças do documento que amanhã se dirigirá assinado a homens que, espera-se, tenham bons olhos, paciência e muita parcimônia. Será que a Fernanda já editou o vídeo do show que fomos sábado? Tenho a certeza de que os baús fictícios foram abertos, deixando uma zona imensa dentro de mim. As frases dos jurisconsultos ainda ecoam na minha mente, com as imagens que Nicholas Sparks fez possível aos meus olhos pintar em sonho na parede branca do meu quarto. Para minha tentativa de achar algo mais que me sirva ao que defendo nas cartas de Savannah. Minhas idéias estão presas em minha rotina, mas totalmente soltas na minha insônia entre um setor e outro do meu cérebro, que eu achava se dividia em áreas de concentração. Não pode ser. Penso em coisas mil. Será que meu trabalho vai provar a inocência de um cara, a meu ver, injustiçado por sua ignorância? Lembro das minhas férias e aí vem o cara de hoje na cabeça, aquele cara que atende a promessa de que a partir dali teria "alguém melhor para mim". Vem a voz da minha avó com um flash, que na cadência da psicologia é uma "tentativa de crer" e do espiritismo "um sinal de" que fiz a escolha certa. Inevitavelmente, vem na cabeça uma pessoa que não faz qualquer sentido eu pensar, porque simplesmente está longe de tudo aquilo que escolhi para mim, particularmente das 95 páginas feitas a 1:30 da manhã - ainda que reduzidas a 75 amanhã às 11:00. Ele não combina com nada disso, mas poderia ao menos, apoiar feliz os acertos. Quem sabe ouvir? Não adiantaria, pois eu queriria, no fundo, que ele almejasse saber mais daquilo, só por me amar. Ele não faria. Daí me recordo que se existe alguém que minha história aprendeu a titular melhor, um "pior" houve. Ao menos, ao ver do mundo, porque eu ainda não estou de todo convencida. Se ele não era o que eu queria, o que raios me fez um dia gostar dele, crer que era ele. O que ainda me levava a crer? No mais, se fosse dotado de tamanha capacidade de explodir a minha vida, seria eu auto destrutiva a me permitir pensar tanto nisso (principalmente, colocando-O depois de elucubrações em torno da minha avó, pessoa mais importante desta vida e das outras todas). Foi Ele (e se o pronome vem em inicial maíuscula ou sem acompanhamento de aposto, a ponto de ser identificado sem maiores descrições, é porque a merda foi lançada no ventilador da NASA. Tem cocô no maiô). Mas se ele foi o que "não faz bem", por que ainda penso Nele às 4 da manhã para conseguir dormir feliz?

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