Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

sábado, 7 de maio de 2011

Caixão sem gavetas

Citadina, suburbana sempre rumo ao seu caos. Sem perrengue a semana não segue o turno normal. Saí que é hora de trabalho. Vai que é dia de salário. Tá na hora. Tá na hora. E a vida no campo? E cadê o descanso?  Não tem hora. Não tem hora. Um dia vai se aposentar... Mas agora, a casa tá cheia. A madrugada está lisa, mas você não "pode" cair. A noite é convidativa e você "tem" de seguir. Papéis, anéis, a propaganda mostrou... E você quer. É dia de hora extra. Mas a vida não tem extra, parceiro. É dia, hora, minuto, segundo contado no óbito. E o Chefe não dá um milímetro a mais de existência, ainda que você queira trabalhar. Ele só respeita as Leis, mas agora não era isso que você queria... Só choro e só vela. Não deu tempo da aposentadoria. É hora do enterro. O povo debruçado no corpo pensando na palavra calada, que precisava de um minuto mais. O que não foi dito vai fica no sopro, na culpa, na vida desgraçada de quem fica. A vida só tem de impossível a morte, ainda que vejamos coisas todo dia que pareçam clamar este status. E quanto valeu o seu labor? E os dias que você esqueceu de dar amor aos seus filhos que lhe aguardavam para o jantar? Ele queria saber onde estava o pai. A mãe orgulhosa dizia que você era um homem dedicado. E era mesmo? Ao que? O filho não entendia. Preferia menos daquilo e mais disso. Mas cresceu e repetiu o "acerto" de vida que dele se esperava. Lamentou cada segundo que seu pai perdeu, lamentou cada momento que ele mesmo esqueceu de que agora é a sua hora. O seu caixão também não tinha gavetas...

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