Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

domingo, 17 de abril de 2011

Aguarda-se

O outro era eu. Entristecido por restos de histórias, por falsas memórias, por idéias que não vendem. Quem comprará a bibliografia de um fracassado? Me vi em cada linha amorfa a se delinear por trás dos óculos embaçados. Para que tornar límpida a visão de um mundo turvo? Todos estão surdos! Dizia com um grave incomum, mas sem exasperação (pois essa ainda é sinal de esperança que ele não mais tinha). Vendeu seus idealismos com as quinquilharias inúteis em liquidação. Eram ímpetos revolucionários tão fúteis quanto elas. Eu o criticava tanto e agora era o mais novo membro do clã dos conformados. Aguarda-se. Todos, ora ou outra, se (de)formam em apatia.

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