Era opção de quem não tem credo. Eu queria tentar odiá-lo, mas, não conseguia. Suas inações, revesti de falta de sabedoria. Seu falso destemor, da inabilidade de sentir dor. Coitado, não tinha auto-confiança, pois sofrera. Eu também sofrera e me fiz mulher forte no tapa, amigo. Era um tabefe da vida em plena a puberdade. Cada ano que passava vinha uma novidade que eu sequer parecia poder encarar. Novidades... De benesse só tinha a idéia de positividade implícita da palavra (que para mim era tão implícita que não aparecia). Em fila indiana vinham elas, e ele lá parado, sem saber como reagir. Sem derramar lágrimas, mas com o mais difícil chorar dentro de si. Não admitia que doía e daí começavam meus percalços e as minhas desculpas. Se dissesse a si o quanto era duro, talvez haveria estímulo à ação. Achava tudo fácil e como era um "homem afeito as dificuldades" não as enfrentava com o jargão familiar da "simplicidade" daquelas "novidades", que, na verdade, era placebo para negligenciar a complexidade dos detalhes. Eram sensações do mais alto escalão, poxa. Mas o sentir não são atos. Grandes projetos de engenharia, problemas de grana era concretos e esses lhe davam idéia de esforço, de dificuldade. Enfrentava-os muito bem, obrigado. O doer do mundo nas internalidades não lhe eram nada... Comecei a pensar em odiá-lo ao me dar presentes, sem uma palavra. Ganhei de tudo do bom e do melhor, pois os bens são concretos. Perdi de tudo do bom e do melhor, pois os maiores bens são abstratos. Ele não sabia. Como as confissões, além de altruísmo, não deixam de ser exposições de fragilidade, cada cartão o "eu te amo" lhe parecia "senti-me só e precise de você", então não se dava à "simplicidade" de escrever. Eu gostava de o analisar, de o decifrar e de jogar na sua cara cada descoberta sobre o seu ser, porque, no fundo, achava que podia tocá-lo, fazê-lo refletir. Desisti. Se o toquei não sei, porque exposições são concretas e nascem de algo tão concreto quanto elas e não havia nada ali. Era o que achava. Passei a odiá-lo: foi no exato momento em que ele me disse eu Te Amo.
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