Não há travesseiro em que eu me deite em paz. Nenhuma cama me suporta mais. É muita dor para se ter sono. O peso que carrego é muito para nossos poucos anos, que são pouco para tantos desenganos, é apenas doloroso. Mas ao pensar em você, sinto um temporário apego, a esperança de um futuro, de um romance repetível. Vejo abertas possibilidades que logo morrem na tinta seca das cartas, que expõem um sentimento que não vige mais. É impossível achar algo de bom naquelas letras mortas que não fazem mais sentido, que não têm m ais seu contexto. Fecharam-se as portas para um pretenso recomeço. Bate-me a sanidade do fim tantas vezes reprisado. São tantas cenas diferentes de um mesma dor que eu não consigo enxergar onde havia este amor que nos fez começar. Foram tantos erros e remendos que qualquer puxão estoura o pouco que ainda resta. Não tenho vontade de seguir adiante, quando lembro que o nosso distante não pode ser percorrido no meu carro novo. Saber quem e não saber como é demais para alguém como eu, que não se permite ficar de mãos atadas. Cri que era possível você se dar conta de que este amor que me fez tão pronta era capaz de também fazê-lo. E se não fosse? Não era. É duradouro e indiscutível não haver nada, deste outro lado. O disco de faixa riscada, de íntegra irrepetível, deixa apenas a memória de um refrão isolado. "E se ele não te ama? E se ele apenas não te ama mais?"
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