Dói acordar pela manhã e não ter vontade de sair da cama, porque o mundo lá fora não sabe receber você da forma como VOCÊ recebe o mundo lá fora. Será que devemos ser gananciosos, mesquinhas, trapaceiros? Se são esses que se dão bem, tudo o que me ensinaram só me faz ser sensível (dolorosamente sensível), a ponto de conseguir perceber a pior conquista da maturidade: não importa quão bem você faça aos outros, quanto sorri para as pessoas, ou a qualidade do respeito que coloca em suas relações, vai sempre existir alguém para ferrar você, olhá-lo com cara feia e achar que pode mal tratar o bom trato que você apenas tenta dar à sua vida. E no saldo de tudo, você se pergunta: vale a pena? Hoje, sinceramente, não sei dizer. Fato é que não consigo ser diferente e seria hipocrisia dizer que não gostaria. Esta coisa de deitar no travesseiro tranquila é desculpa cármica. O poder dormir não é o suficiente ao grande esforço que é manter a lisura do meu caráter, diante de tantas demonstrações de que ele não vale nada além de uma boa noite de sono. E para ser sincera, sequer durmo bem. A insônia é um mal, creio eu, dos bons de alma, que ainda refletem, após findo um longo dia, se acertaram, onde podiam ter sido melhores, o que esperavam-lhe que fizesse. Os escrotos dormem bem, obrigada, sem qualquer juízo moral sobre suas condutas. Então sequer bons sonhos posso dizer que me retribuem... E, neste ponto, provavelmente, é tímido, porém existente o pensamento de se tratar de um eu-dramático arrogante. Mas será que é pedir muito haver correspondência entre o quanto se dá e o tanto que se recebe? Será que é condenável saber-me alguém de bem? Depois, de um pouco viver, acho necessário saber quem sou, sob pena de me pisarem, sem eu conseguir ouvir meus próprios gemidos. Ora, não estou pleiteando o reconhecimento da minhas generosidade diante das enormes e infindáveis dificuldades da vida, o que talvez (apenas talvez) não seria nobre e seria melancolia hiperbólica; estou querendo reciprocidade, isto é, a exata parcela do meu amor próprio. Desculpem-me os que acham que não se deve fazer nada, esperando receber. Esta máxima só faz sentido aos que receberam algum retorno, porque, senão, não teriam formulado tal tolice. Com a dúvida, que ora partilho, teriam redrudescido, a ponto de não conseguirem sequer sussurrar esta estúpida mola da humildade ignorante. Não quero aplausos, quero apenas a tentativa, apenas a tentativa, do "ser bom". Hoje, as pessoas machucam pelo gosto da dor, que, para mim, é ainda bem amargo, mas para tantos outros está virando o mais doce sabor da vida.
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