Talvez nunca mais pudesse saber o que é o amor. Esqueci a sensação de acordar de manhã já feliz, sem precisar angariar frutos de alegria para sorrir, no curso do dia. Eu recorria incansavelmente à companhia dos meus amigos, às noitadas, aos prazeres da carne, que quando findos desmarscaravam a incompletude do meu eu. Aprendi, a não me permitir e tinha medo desta desautorização agora. E, não acho que fiz errado, naquele passado, mas agora aquilo tudo não fazia mais sentido e eu não conseguia mais voltar atrás. Ao me convencer de que amar não era necessário, estava em uma boa fase, um momento em que realmente não precisava de nada mais. Para ser sincera, talvez estivesse em uma fase mais superficial de bens, de exterioridades. Hoje, no ponto alto dos meus questionamentos sobre a vida e sobre a morte, pergunto-me onde escondi esta felicidade. Já revirei tudo aqui dentro e não acho. É ótimo ter a convicção de que a felicidade está dentro de si mesmo e ninguém no mundo poderá trazê-la se não você, mas o que fazer se você não consegue mais atingir isso? Será que é hora de terapia ou será mesmo o correr natural da vida, em que o ser um não mais lhe basta? Nunca me senti tão só. Nunca.
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