Ela se despiu, com alguma vergonha. Se hesitou foi por evidente cerimônia. Ela queria... Encarou-o, então, meio de pino. Buscou perceber se a reação dele repreendia-lhe o desatino. Mas ela queria... Forçou, então, a negativa para poder sucumbir ao prazer. Não fez exageros, não tomou a iniciativa, nem ousou dizer... Nada falaria sobre sua abstinência. Isso ela esconderia... Vetou proclamar-lhe ao pé do ouvido qualquer indecência, mas se desnudou com propositado alinhamento. Preocupou-se, como uma novata, se ele notara o seu conhecimento, do que se arrependeu. Deveria esconder... Riu em denúncia anônima a falsa primaridade. Colocou vagarosamente a roupa e, relembrando ter vaidade, deixou parte do seu corpo exposta. À pergunta de novo encontro se fez ausência de resposta. Ela temia... A sua mente fez alta aquela triste lembrança escondida em apelo a esperança de um novo amor. Ela temia... Não ficou para um cigarro, não dividiu sorriso, pós-amor ou fez qualquer sarro dos descompassos do sexo. Ela temia... Fugiu, correu, saiu, em pensamento desconexo com a cena de carinho que ousara viver. Era a ira que lhe enchia o peito, que lhe fez sair do leito onde poderia haver amor. Ela temia... Ela aprendera a temer o amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário