Desembaraço

Finalmente, tive coragem. Publiquei meus textos. Todos aqueles por anos calados no meu HD saltitaram pelo www, para poderem ser criticados e ridicularizados. Haviam sido lidos por amigos da mais alta intimidade que talvez silenciaram um riso de desdêm. Agora estão aí jogados às piranhas, para o apetite coletivo. Não temo mais o embaraço...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Meretriz

Entrou no quarto e se despiu do cetim. Eu só queria uns minutos de romantismo barato. Ela não quis.
Virou de quatro e nem sorriu para mim. Eu não queria me sentir um ingrato. Mas foi o que fiz. Aquilo era pouco para as minhas vontades. Era por troco, não omito verdades: procurei uma meretriz.

Partiu pela porta com cara de indiferença. Eu só queria um instante de felicidade. Ela não quis.
A roupa torta era pressa de nova presença. Eu nem queria fazer caridades. Mas foi o que fiz. Trouxe-lhe centena de presentes finos. Era por pena, não omito desatinos: me apaixonei pela meretriz.

Correu para o cômodo e me fez um gracejo. Eu só queria uns minutos de vivência profana. Ela não quis.
Esqueceu o incômodo e me olhou com desejo. Eu não queria me sentir sacana. Mas foi o que fiz. Aquilo era cedo para as minhas vaidades. Era por medo, não omito verdades: não me envolveria com a meretriz.

Saiu pelo corredor com cara de retorno. Eu só queria uns instantes de esquecimento. Ela não quis.
O seu pudor era como um estorno. Eu não queria prover-lhe constrangimento. Mas foi o que fiz. Furtei-lhe a alegria que lhe havia refeito. Era por hipocrisia, não me faço perfeito: não vi mais a meretriz.

2 comentários:

  1. Meretriz

    Entrou no quarto e se despiu do cetim.
    Eu só queria uns minutos de romantismo barato. Ela não quis.
    Virou de quatro e nem sorriu para mim.
    Eu não queria me sentir um ingrato.
    Mas foi o que fiz.
    Aquilo era pouco para as minhas vontades.
    Era por troco, não omito verdades:
    procurei uma meretriz.

    Partiu pela porta com cara de indiferença.
    Eu só queria um instante de felicidade.
    Ela não quis.

    A roupa torta era pressa de nova presença.
    Eu nem queria fazer caridades.
    Mas foi o que fiz.
    Trouxe-lhe centenas de presentes finos.
    Era por pena, não omito desatinos:
    me apaixonei pela meretriz.

    Correu para o cômodo e me fez um gracejo.
    Eu só queria uns minutos de vivência profana. Ela não quis.
    Esqueceu o incômodo e me olhou com desejo.
    Eu não queria me sentir sacana.
    Mas foi o que fiz.

    Aquilo era cedo para as minhas vaidades.
    Era por medo, não omito verdades:
    não me envolveria com a meretriz.

    Saiu pelo corredor com cara de retorno.
    Eu só queria uns instantes de esquecimento.
    Ela não quis.

    O seu pudor era como um estorno.
    Eu não queria prover-lhe constrangimento.
    Mas foi o que fiz.
    Furtei-lhe a alegria que lhe havia refeito.
    Era por hipocrisia, não me faço perfeito:
    não vi mais a meretriz.

    xixixixixixixi

    o ritmo da sua prosa está mais para um Poema. O que ousei fazer. Um ritmo monótono de sexo obrigatório, de final de caso. Mas, a despeito disso, muito bom. O texto, no meu ver Poema.

    Foi intencional o ritmo?

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  2. Sei que é viagem, mas eu dividi em 4 fases. Se vc perceber são as 4 das 5 fases da morte, mas invertidas. Veja:

    1)Aceitação
    2) Barganha
    3) Raiva
    4) Negação

    Agora vc me responde qual é a última que ele vai sentir.

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